O COGAT, órgão militar israelense que coordena assuntos civis e humanitários em Gaza, anunciou na quarta-feira (14) que mercadorias comerciais deixaram de entrar no território. Segundo o órgão, comerciantes palestinos interromperam a coordenação necessária para a entrada dos produtos em razão de uma disputa relacionada a cobranças do Hamas.
De acordo com o COGAT, os comerciantes reagiram a uma taxa de 10 mil shekels — cerca de US$ 3.220 — por caminhão que entra em Gaza e à exigência de que 30% das vendas fossem feitas em dinheiro. O Hamas afirmou que o valor é uma contribuição voluntária de moradores ricos para um fundo de apoio a pessoas vulneráveis, incluindo viúvas e órfãos. O grupo também disse incentivar pagamentos em dinheiro por causa da escassez de moeda.
A interrupção afeta o fornecimento comercial de alimentos e outros produtos em um território onde a maioria da população depende de ajuda humanitária. Cerca de 2 milhões de pessoas vivem em Gaza, a maioria em abrigos improvisados, após anos de guerra e deslocamentos.
O Unicef alertou que interrupções no abastecimento podem comprometer avanços frágeis contra a desnutrição e pediu que todos os pontos de passagem permaneçam abertos. Em Genebra, o porta-voz da agência, Ricardo Pires, defendeu um fluxo previsível e contínuo de suprimentos comerciais e humanitários. Segundo o Unicef, cerca de 800 mil crianças continuam deslocadas, muitas em barracas ou edifícios inseguros.
Em julho, um monitor global de segurança alimentar alertou que mais de dois terços da população poderiam enfrentar fome aguda até o fim do ano.

