Associações de imprensa manifestaram indignação com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, segundo a TV Globo, interferiram nas regras do debate presidencial previsto para a noite de quinta-feira (1º). Em nota conjunta, as entidades classificaram a intervenção como uma agressão à liberdade de imprensa. O debate foi cancelado.
O texto é assinado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), pela Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). As entidades afirmam que a interferência impôs obrigações sem previsão em lei a uma emissora privada e desrespeitou regras acordadas meses antes entre a Globo e os partidos.
Na avaliação das associações, as decisões também prejudicaram o direito dos cidadãos de conhecer as propostas de candidatos que haviam sido convidados e se dispuseram a participar do debate. A manifestação foi divulgada nesta quinta-feira (1º).
Decisões citadas pela emissora
A Globo atribuiu o cancelamento a três decisões judiciais que, segundo a emissora, criaram insegurança jurídica. Uma delas, da ministra Estella Aranha, do TSE, atendeu a pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para impedir perguntas direcionadas ao púlpito vazio com uma foto do candidato.
A emissora afirmou que a ata do debate, assinada pelos partidos, inclusive pelo PT, previa que o espaço reservado a um candidato ausente permanecesse vazio e fosse identificado por uma placa.
Outra decisão mencionada foi a do ministro Gilmar Mendes, do STF, que determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) entre os participantes. A Globo disse que a legislação e uma portaria do TSE determinam convite obrigatório a candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional.
As entidades também citaram decisão do presidente do TSE, Nunes Marques, que, segundo a nota, alterou entendimento anterior do tribunal sobre a contagem de parlamentares para debates e reconheceu o direito de Romeu Zema, do Novo, de participar.
A nota foi datada de Brasília, em 1º de outubro de 2026. As associações declararam solidariedade à TV Globo e disseram que as decisões levaram ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.
