Encontraram 400 quilos de moedas jogadas nas Cataratas do Iguaçu e o impacto ambiental desse volume é muito maior do que parece, segundo especialistas

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Mais de 400 quilos de moedas foram retirados do fundo das Cataratas do Iguaçu durante uma operação de limpeza realizada no lado argentino do parque. A ação acabou revelando um problema ambiental muito maior do que parecia à primeira vista e reacendeu o debate sobre hábitos turísticos considerados “inofensivos”, mas que podem causar danos silenciosos à natureza ao longo dos anos.

A descoberta aconteceu depois que o nível do Rio Iguaçu atingiu uma baixa histórica, expondo áreas que normalmente ficam submersas. Com a vazão muito abaixo do normal, equipes de conservação ambiental conseguiram acessar regiões cobertas pela água há bastante tempo e encontraram uma enorme quantidade de resíduos acumulados entre as pedras.

Além das moedas, os trabalhadores também retiraram garrafas plásticas, tampinhas, baterias e lixo eletrônico. O cenário chamou atenção justamente porque mostrou como pequenas atitudes repetidas diariamente por milhares de turistas podem gerar impactos ambientais significativos em uma das paisagens naturais mais visitadas da América do Sul.

Tradição turística pode causar danos ao ecossistema

Apesar de muita gente associar o ato de jogar moedas na água à sorte e à realização de desejos, a prática é proibida nas Cataratas do Iguaçu. Segundo André Franzini, gerente de sustentabilidade da Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela gestão turística do parque no lado brasileiro, as moedas representam riscos reais para o meio ambiente.

“Os metais contidos nas moedas podem contaminar a água e afetar a fauna aquática”, explicou o gestor durante a repercussão da operação. O problema acontece porque as moedas ficam submersas por anos e começam a sofrer corrosão devido à umidade constante e ao contato com a água.

Com o tempo, partículas metálicas são liberadas no rio, alterando gradualmente a qualidade da água. Especialistas também alertam que pequenos resíduos podem ser confundidos com alimento por peixes e outros animais aquáticos, aumentando os impactos sobre a biodiversidade da região.

Foto: Reprodução/Urbia+Cataratas

Baixa histórica do rio revelou resíduos escondidos há anos

Segundo as equipes envolvidas na limpeza, a operação só foi possível porque a vazão do Rio Iguaçu caiu para cerca de 500 mil litros por segundo, número muito abaixo da média habitual, que costuma chegar a 1,5 milhão.

A redução expôs partes do leito que normalmente permanecem cobertas pelas águas das Cataratas. Nessas áreas, trabalhadores encontraram resíduos acumulados há anos, muitos deles já bastante deteriorados pelo tempo e pela umidade.

A situação também acendeu um alerta sobre os impactos do turismo em áreas naturais de preservação ambiental. Mesmo objetos pequenos, quando descartados repetidamente por milhares de pessoas ao longo do tempo, acabam criando um efeito acumulativo difícil de controlar.

O que será feito com as moedas retiradas?

Depois da operação, as moedas passaram por um processo de separação e análise para verificar quais ainda poderiam ser reaproveitadas. Segundo o ICMBio, grande parte do material encontrado já apresenta corrosão avançada e deverá ser inutilizada.

Ainda de acordo com o instituto, o valor recuperado será destinado ao apoio de ações ambientais desenvolvidas dentro do parque. O episódio também reforçou a necessidade de campanhas educativas para conscientizar turistas sobre os impactos de atitudes aparentemente simples.

Em um lugar conhecido mundialmente pela força das águas e pela biodiversidade, a retirada das moedas acabou funcionando como um lembrete de que até tradições populares podem deixar consequências duradouras quando acontecem em larga escala.

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