O tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) é considerado o vertebrado mais longevo já conhecido pela ciência. Habitante das águas profundas e geladas do Oceano Ártico e do Atlântico Norte, ele pode viver por cerca de 400 anos e continua crescendo lentamente durante praticamente toda a vida.
Além da longevidade impressionante, a espécie chama a atenção pelo ritmo extremamente lento de desenvolvimento. Os cientistas estimam que alguns indivíduos vivos atualmente podem ter nascido antes mesmo de acontecimentos históricos como a Revolução Industrial ou a Independência dos Estados Unidos.
Crescimento é tão lento que leva mais de um século para atingir a maturidade
Ao contrário da maioria dos peixes, o tubarão-da-Groenlândia cresce, em média, menos de um centímetro por ano. Esse ritmo faz com que ele só alcance a maturidade sexual por volta dos 150 anos, uma das idades mais tardias já registradas entre os vertebrados.
A combinação entre crescimento lento, reprodução tardia e expectativa de vida extremamente longa torna a espécie particularmente vulnerável à pesca e a impactos ambientais, já que sua recuperação populacional ocorre de forma muito lenta.
Vida em águas quase congeladas ajuda a explicar a longevidade
Os tubarões-da-Groenlândia vivem em profundidades que podem ultrapassar 2 mil metros, onde as temperaturas permanecem próximas de 0 °C durante praticamente todo o ano.
Nesse ambiente, o metabolismo funciona em ritmo reduzido. O animal nada lentamente, consome menos energia e sofre menor desgaste dos tecidos ao longo da vida, características apontadas pelos pesquisadores como parte da explicação para sua extraordinária longevidade.
DNA pode guardar pistas sobre o envelhecimento
Nos últimos anos, cientistas passaram a investigar o material genético da espécie em busca de respostas para sua resistência ao envelhecimento.
Um estudo publicado em 2026 apresentou o primeiro sequenciamento completo do genoma do tubarão-da-Groenlândia e identificou genes relacionados ao reparo do DNA, à resistência ao câncer, ao fortalecimento do sistema imunológico e à proteção contra danos celulares. Os pesquisadores acreditam que esses mecanismos, combinados ao metabolismo lento, ajudam a explicar por que o animal envelhece tão devagar.
Apesar dos avanços, os cientistas destacam que ainda não existe uma única explicação para a longevidade da espécie. A expectativa é que novas pesquisas ajudem a compreender melhor os processos biológicos envolvidos e contribuam para estudos sobre envelhecimento e doenças relacionadas à idade em humanos.
[ad_2]
