A direita brasileira precisa preparar uma alternativa política que não tenha a família Bolsonaro como principal liderança, avaliou Thiago Vidal, diretor de análise política da Prospectiva Public Affairs Lat.Am. Para ele, a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno não garante, por si só, governabilidade ao presidente.
Vidal afirmou que há sinais claros de crescimento da direita no Brasil, mas ponderou que o resultado eleitoral de Lula também pode ser explicado pela rejeição ao bolsonarismo. A avaliação foi apresentada na Conferência Econômica Brasil 2026, realizada nesta sexta-feira (30) pela Brazilian-American Chamber of Commerce (BrazilCham) e pelo escritório de advocacia DLA Piper, em Nova York.
“O desafio da direita nos próximos quatro anos é propor um cenário alternativo que não inclua a família Bolsonaro como as figuras principais dos partidos de direita”, disse o diretor.
Vidal ressalvou que a família Bolsonaro ainda pode integrar essa articulação. Segundo ele, a participação se justifica pela importância demonstrada pelo número de votos do ex-candidato Flávio Bolsonaro (PL), mas a família não deveria conduzir o movimento. “O desafio é precisamente equilibrar a participação da família Bolsonaro”, afirmou.
O analista também alertou que a vantagem de Lula no segundo turno não necessariamente se converterá em capacidade de governar no novo mandato. De acordo com Vidal, o presidente recebeu 10 milhões de votos a mais no segundo turno do que no primeiro, mas esse resultado “não dá necessariamente governabilidade”.

