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Diamante Energia planeja reator nuclear modular no Complexo do Pecém

O projeto ainda depende de licenças e não tem cronograma, estimativa de investimento ou previsão de geração para o Ceará.

Diamante Energia planeja reator nuclear modular no Complexo do Pecém

A Diamante Energia pretende instalar um Pequeno Reator Modular (SMR) no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza. O plano foi apresentado pelo presidente da empresa, Pedro Litsek, durante o Proenergia Summit 2026, em Fortaleza, e confirmado posteriormente pela companhia.

A iniciativa ainda não tem prazo para chegar ao Ceará, nem estimativas de investimento ou de energia a ser gerada. A Diamante informou que o projeto começou em Santa Catarina, onde fica a sede da empresa, e que o processo é de longo prazo.

“Se você quer descarbonizar a matriz energética, a única oportunidade que você tem, de grande capacidade, hoje, é a nuclear”, afirmou Litsek. A implantação do reator no Ceará depende do avanço do projeto e das etapas de licenciamento.

Os estudos aguardam aprovação de uma licença preliminar da Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). Depois dessa fase, a empresa prevê solicitar à agência uma Licença Prévia de Local (LPL) e buscar licenciamento ambiental junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Em maio deste ano, a ANSN visitou o Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, Santa Catarina, para avaliar condições preliminares para a implantação do reator. Entre os aspectos observados estavam características das instalações, distância de centros populacionais e necessidade de coleta de dados meteorológicos.

No início do mês, a Diamante também firmou uma Carta de Intenções com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, na Áustria. O acordo busca facilitar a implantação de SMRs em usinas termelétricas a carvão, dentro do conceito Coal-to-Nuclear (CTN), que estuda a conversão dessas instalações para geração nuclear.

Possíveis usos e segurança

Adão Linhares, diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Ceará (Sindienergia-CE), avalia que a geração nuclear poderia complementar as fontes renováveis do Estado. Segundo ele, os reatores poderiam operar continuamente e atender demandas de grande escala, como data centers e projetos de hidrogênio verde.

Linhares afirmou que os SMRs podem gerar até 300 megawatts (MW) por unidade e que sistemas de segurança redundantes evitariam consequências extremas em caso de falhas. A avaliação é condicionada ao cumprimento dos procedimentos de segurança.

O Ceará também possui a mina de Itataia, em Santa Quitéria, com uma das maiores reservas de urânio do País. O projeto prevê extração de fosfato para fertilizantes e de urânio, mas a exploração segue travada por impasses sociais e ambientais.

A Diamante administra as usinas Pecém 1 e 2. A companhia também transferiu metade das ações do Porto do Pecém Transporte de Minérios (PPTM) para a Eneva, que já detinha os outros 50%. Em troca, receberá 100% das ações da Itaqui Geração de Energia, no Maranhão.

No Proenergia Summit 2026, Litsek disse ainda que a empresa apresentará propostas de até 300 MW para o Ceará no primeiro leilão de baterias do Brasil, previsto para o início de dezembro.