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Considerado extinto por 20 anos, este pequeno “jardineiro” voltou a espalhar sementes na natureza

Depois de passar cerca de duas décadas sem ser registrado em alguns rios do sul da Inglaterra, o rato-d’água voltou a ocupar parte desses ambientes graças a programas de reintrodução e recuperação de áreas úmidas. O retorno do pequeno mamífero é visto por conservacionistas como…

Fotografia em close de um pequeno mamífero dispersor de sementes segurando um fruto no chão de uma floresta nativa.
Após 20 anos considerado extinto, o pequeno 'jardineiro' retorna ao seu habitat natural para auxiliar na regeneração da flora local.

Depois de passar cerca de duas décadas sem ser registrado em alguns rios do sul da Inglaterra, o rato-d’água voltou a ocupar parte desses ambientes graças a programas de reintrodução e recuperação de áreas úmidas. O retorno do pequeno mamífero é visto por conservacionistas como um passo importante para restaurar ecossistemas degradados, já que a espécie exerce um papel relevante na dinâmica da vegetação às margens de rios e córregos.

Apesar de ser frequentemente confundido com ratos urbanos, o rato-d’água (Arvicola amphibius) tem hábitos e funções ecológicas bastante diferentes.

Herbívoro, ele se alimenta principalmente de plantas aquáticas e vive em tocas escavadas nas margens dos cursos d’água. Ao circular pelo ambiente e consumir diferentes espécies vegetais, acaba contribuindo para a dispersão de sementes e para a renovação da vegetação ribeirinha, motivo pelo qual alguns especialistas o descrevem como um “jardineiro” natural.

Declínio acelerado colocou a espécie entre as mais ameaçadas

Até o fim do século passado, o rato-d’água era encontrado em grande parte da Grã-Bretanha. Esse cenário mudou rapidamente a partir da década de 1990.

Levantamentos realizados por entidades de conservação apontam que a população da espécie caiu mais de 90% em poucas décadas, tornando um dos mamíferos nativos de declínio mais rápido no país.

A perda de áreas úmidas, a retificação de rios, a retirada da vegetação das margens e a degradação da qualidade da água reduziram os locais adequados para alimentação e reprodução.

Outro fator decisivo foi a expansão do vison-americano (Neovison vison), espécie invasora introduzida no Reino Unido que passou a predar intensamente os roedores.

Em diversas regiões, o desaparecimento foi tão prolongado que o animal chegou a ser considerado extinto localmente, exigindo ações de manejo para que voltasse a ocupar esses ambientes.

Reintrodução combina soltura e recuperação dos rios

Os projetos de conservação não se limitam à soltura de animais. Antes da reintrodução, equipes técnicas avaliam as condições do habitat, restauram a vegetação ribeirinha, controlam espécies invasoras e monitoram a qualidade dos cursos d’água para aumentar as chances de sobrevivência dos indivíduos liberados.

No rio Wey, na região de Haslemere, por exemplo, cerca de 150 ratos-d’água foram reintroduzidos após uma preparação prévia da área. Depois da soltura, pesquisadores acompanham a abertura de novas tocas, a reprodução dos animais e sua dispersão ao longo do rio.

Além de favorecer a recuperação da própria espécie, a presença do roedor beneficia outros organismos. As tocas escavadas nas margens podem servir de abrigo para pequenos animais, enquanto a vegetação manejada naturalmente pelo rato-d’água ajuda a diversificar os habitats disponíveis para insetos, anfíbios e aves.

Os programas também envolvem moradores e proprietários rurais, que recebem orientações sobre a preservação das margens dos rios e a importância de manter corredores ecológicos conectados. Para os responsáveis pelos projetos, recuperar o rato-d’água significa restaurar parte do funcionamento natural desses ecossistemas, permitindo que uma espécie desaparecida por anos volte a cumprir seu papel na paisagem.

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