O vulcanólogo Bill McGuire afirma que o flanco ocidental do Cumbre Vieja, nas Ilhas Canárias, pode desabar no Atlântico e gerar um megatsunami. Em um cenário extremo, ondas poderiam alcançar a Costa Leste dos Estados Unidos em até nove horas, mas o pesquisador ressalta que o colapso pode ocorrer apenas daqui a séculos ou milênios.
A preocupação envolve uma grande massa de rocha que se desloca lentamente em direção ao mar. Caso desabe, deslocaria um volume enorme de água.
McGuire escreveu que espera que parte do flanco eventualmente caia no Atlântico Norte, mas reconheceu que há debate científico sobre a dimensão da destruição e sobre a possibilidade de ondas devastadoras chegarem à América do Norte.
Simulações de computador citadas por McGuire apontam que, no pior cenário, ondas de até cerca de 20 metros atingiriam a costa dos Estados Unidos. Perto do local do colapso, o impacto inicial poderia formar uma cúpula de água de quase um quilômetro de altura e ondas de centenas de metros nas ilhas vizinhas.
Como indício de que ondas geradas por deslizamentos vulcânicos podem cruzar o oceano, pesquisadores apontam rochas enormes encontradas fora de lugar em trechos costeiros das Bahamas. Geólogos acreditam que tsunamis pré-históricos originados nas Canárias as transportaram pelo Atlântico.
Quando poderia ocorrer
McGuire afirmou não saber quando o evento aconteceria e disse que ele pode estar a séculos ou milênios de distância. Especialistas também ressaltam que uma catástrofe no Atlântico não é iminente, embora uma onda, depois de gerada, pudesse viajar em alta velocidade.
Modelos mais antigos, de 2001, previam ondas maiores na Costa Leste. Análises posteriores do Serviço Geológico dos EUA (USGS) e outros estudos indicam que, mesmo no pior caso, muitas simulações apontam ondas de 1 a 2 metros.
Esses estudos também descrevem colapsos desse tipo como raros, em escalas de centenas de milhares de anos, e precedidos por sinais claros de instabilidade.
McGuire defende que a gestão de desastres não se baseie apenas no cenário mais otimista. O Cumbre Vieja entrou em erupção pela última vez em 2021, e o monitoramento da movimentação do flanco ocidental continua.

