A China afirmou que vai “responder firmemente” caso a União Europeia adote restrições contra empresas ou produtos chineses. O alerta foi divulgado na noite desta terça-feira (29), antes de negociações de alto nível previstas para a próxima semana, em Pequim.
Em declaração, o Ministério do Comércio chinês disse que medidas desse tipo, enquanto as partes mantêm conversações comerciais, “minam seriamente a confiança mútua” e “perturbam” as negociações. A manifestação, segundo a CNBC, foi uma resposta à possibilidade de a UE usar ferramentas para limitar a atuação chinesa no bloco.
China e União Europeia negociam desde o verão europeu com o objetivo de reduzir até outubro o déficit comercial recorde do bloco com o país asiático. O comissário de Comércio da UE, Maroš Šefčovič, afirmou à Euronews nesta semana que Pequim deve apresentar “resultados concretos” até outubro ou poderá enfrentar “medidas mais duras”. Ele deve viajar a Pequim na próxima semana.
Possíveis medidas europeias
No início da semana, Noah Barkin, do Rhodium Group, disse que países europeus consideram medidas para restringir a atuação da China. Citando autoridades europeias, ele afirmou que Alemanha e França finalizam um documento conjunto que pede à Comissão Europeia que acelere o desenvolvimento de uma ferramenta. Um funcionário descreveu o recurso como capaz de permitir a Bruxelas “cortar a China do mercado europeu em 24 horas”.
Barkin disse que as medidas podem seguir modelo semelhante à abordagem tarifária da Seção 301 dos Estados Unidos. O Ministério do Comércio chinês afirmou estar respondendo à possibilidade de adoção de ferramentas europeias desse tipo.
Em 2020, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) superou a UE como maior parceira comercial de bens da China. Ainda assim, dados da alfândega chinesa acessados via Wind Information indicam que o déficit comercial da UE com a China é o maior do mundo e superou recentemente o dos Estados Unidos. Considerando também serviços, a UE afirmou que o comércio combinado com a China chegou a 880 bilhões de euros no ano passado, quase US$ 1 trilhão.
