Cerca de 70% do plástico lançado no oceano deixa de ser visto na superfície — mas não desaparece

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Grande parte do plástico que chega aos oceanos deixa de ser encontrada na superfície pouco tempo depois. Estimativas indicam que cerca de 70% desse material “desaparece” do monitoramento tradicional, alimentando há anos uma dúvida entre cientistas sobre o destino desses resíduos.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Kyushu, no Japão, e da Universidade de Chulalongkorn, na Tailândia, traz uma nova explicação para parte desse fenômeno. A pesquisa identificou a presença de microplásticos em diferentes estruturas dos corais, indicando que esses organismos podem funcionar como um dos reservatórios desse lixo no ambiente marinho.

Os resultados foram publicados na revista científica Science of The Total Environment.

Pesquisa encontrou partículas em diferentes partes dos corais

Os cientistas analisaram um recife localizado próximo à ilha de Ko Sichang, no Golfo da Tailândia, uma região inserida no Sudeste Asiático, considerada uma das áreas mais afetadas pela poluição plástica no mundo.

Para verificar se os corais acumulavam resíduos, a equipe utilizou uma técnica aplicada pela primeira vez nesse tipo de organismo.

O método permitiu isolar e identificar microplásticos presentes na camada de muco que recobre os corais, nos tecidos moles e também no esqueleto formado por carbonato de cálcio.

Os microplásticos são fragmentos com menos de cinco milímetros de diâmetro, geralmente originados da degradação de embalagens, redes de pesca, garrafas e outros produtos descartados no meio ambiente. Por serem extremamente pequenos, eles podem permanecer dispersos na água por longos períodos e acabam sendo incorporados por diversos organismos marinhos.

Segundo os autores do estudo, a descoberta reforça a hipótese de que os corais atuam como uma espécie de depósito natural para parte desse material que deixa de circular livremente na coluna d’água.

Acúmulo de plástico preocupa cientistas

Os pesquisadores comparam esse processo ao papel das árvores na absorção de dióxido de carbono, mas destacam uma diferença importante. Enquanto o carbono é utilizado pelas plantas em processos biológicos, o plástico não oferece qualquer benefício aos corais e pode representar mais um fator de pressão sobre ecossistemas que já enfrentam ameaças como o aquecimento dos oceanos, a acidificação da água e eventos frequentes de branqueamento.

O Sudeste Asiático produz aproximadamente 10 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, volume que corresponde a cerca de um terço da poluição plástica global. Parte desse material chega aos rios e, posteriormente, ao oceano, onde se fragmenta em partículas microscópicas.

Embora o estudo não conclua que os corais sejam o destino da maior parte do plástico “desaparecido”, os autores afirmam que a pesquisa amplia a compreensão sobre o caminho percorrido pelos microplásticos no ambiente marinho e pode ajudar a explicar por que uma parcela significativa desse material deixa de ser detectada na superfície dos oceanos.

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