O senador Carlos Viana (PSD-MG) afirmou que há uma “blindagem” no Senado e cobrou explicações do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, Viana disse ter recorrido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar viabilizar o funcionamento do Conselho de Ética.
Segundo o senador, ele pediu a Alcolumbre que retomasse as atividades do colegiado, mas não recebeu resposta. Viana afirmou que a ministra Cármen Lúcia determinou que o Senado forneça informações sobre o Conselho de Ética. Ele criticou o que descreveu como paralisação do plenário e disse: “O Senado está acovardado, está calado”.
A cobrança ocorre após a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Em uma conversa apresentada durante a entrevista, Alcolumbre agradece ao banqueiro pelo “carinho e amizade fraterna” e escreve: “Sou seu irmão para toda a vida”. Vorcaro responde: “E eu seu a qualquer tempo, para qualquer coisa, nunca vou esquecer”.
Viana defendeu que a relação seja investigada, mas ressalvou que não estava fazendo uma condenação antecipada. “Sem fazer nenhuma pré-condenação, são casos que nós precisamos investigar”, afirmou. Ele também pediu esclarecimentos sobre encontros e festas mencionados pelo banqueiro e disse que as suspeitas relacionadas ao caso precisam ser apuradas.
O senador afirmou que pretende usar o Conselho de Ética para cobrar explicações sobre Alcolumbre e outros parlamentares citados nas suspeitas. Também defendeu reformas no Judiciário, no Parlamento e na política, para que investigações possam ser iniciadas independentemente da vontade dos presidentes das Casas.
Em junho, ao comentar outra reportagem relacionada ao caso Master, Alcolumbre negou ter recebido valores de Vorcaro e repudiou as acusações feitas contra ele.
