A expansão do metrô de São Paulo está dando origem a um projeto que promete estabelecer um novo recorde no continente. Quando estiver totalmente concluída, a nova linha contará com estações localizadas a mais de 60 metros abaixo do nível da rua, profundidade comparável à de prédios com mais de 20 andares.
Ao todo, o trajeto terá 15 estações distribuídas ao longo de 15,3 quilômetros, ligando a Brasilândia, na zona norte da capital paulista, à estação São Joaquim, na região central. A expectativa é reduzir o tempo de deslocamento entre os dois pontos de cerca de uma hora e meia para aproximadamente 23 minutos.
Linha 6-Laranja concentrará as estações mais profundas do continente
A futura Linha 6-Laranja reunirá algumas das estações subterrâneas mais profundas da América Latina. A campeã será Itaberaba–Hospital Vila Penteado, que ficará a 65,71 metros da superfície, superando o recorde atual da estação Santa Cruz, em São Paulo, que está a 41,5 metros de profundidade.
Além dela, outras estações também terão profundidades impressionantes:
- Higienópolis-Mackenzie: 64,86 metros;
- Bela Vista: 60,68 metros;
- PUC–Cardoso de Almeida: 60,51 metros;
- São Joaquim: 52,08 metros;
- Água Branca: 47,80 metros.
Parte dessas estações ficará mais funda do que muitos edifícios residenciais brasileiros.
Desafios de engenharia explicam a profundidade das obras
Segundo técnicos envolvidos no projeto, a profundidade da Linha 6-Laranja não foi escolhida por acaso. Um dos principais motivos é a necessidade de fazer os túneis passarem sob o Rio Tietê e por baixo da Linha 4-Amarela, que já opera na capital paulista.
As características geológicas e o relevo da cidade também influenciaram o traçado. Como os trens não conseguem vencer inclinações muito acentuadas, os engenheiros precisaram planejar rampas suaves ao longo do percurso, o que levou várias estações a serem construídas em níveis mais baixos.
As escavações utilizam diferentes métodos, incluindo o chamado “tatuzão”, além de técnicas de túneis subterrâneos e valas abertas. Segundo o governo paulista, praticamente 13 dos 15 quilômetros da linha foram escavados com tuneladoras.
Elevadores e escadas rolantes serão essenciais para a operação
Para garantir a circulação dos passageiros, as novas estações contarão com longas escadas rolantes e elevadores de grande capacidade. O projeto também prevê sistemas modernos de iluminação, sinalização e controle operacional.
Parte da linha já começou a operar em regime assistido em 2026. Nesse primeiro momento, seis estações entraram em funcionamento, incluindo Água Branca, que se tornou a estação em operação mais profunda da América Latina, com 47,8 metros abaixo do solo.
Quando todas as etapas forem concluídas, a Linha 6-Laranja passará a concentrar as estações mais profundas do continente em um único ramal.
