Anvisa define preço máximo para canetas emagrecedoras, mas acesso e indicação continuam dependendo de avaliação médica

4 Minuto de leitura

O mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida ganhou um novo capítulo com a definição do preço máximo da primeira versão sintética nacional da substância. A medida representa uma etapa importante para que o produto chegue às farmácias, mas não significa que ele será vendido exatamente por esse valor nem que seu uso será ampliado automaticamente.

Além disso, embora as chamadas “canetas emagrecedoras” tenham se popularizado pelo uso no controle do peso, a indicação aprovada para o novo medicamento continua voltada ao tratamento do diabetes tipo 2. Qualquer utilização para outras finalidades depende da avaliação do médico e das regras estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O que muda com a definição do preço máximo?

A definição foi feita pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por estabelecer o teto que laboratórios, distribuidoras e farmácias podem cobrar pelos medicamentos no Brasil.

Para a embalagem com uma caneta de 1,5 ml, o preço máximo foi fixado em R$803,44, sem considerar o ICMS. Como esse imposto varia entre os estados, o valor final permitido ao consumidor também muda conforme a região.

Na prática, esse é apenas um limite regulatório. As empresas podem vender o medicamento por valores inferiores, mas não acima do teto estabelecido pela CMED.

A versão nacional promete ampliar a concorrência

O medicamento, chamado Ozivy, é produzido pela EMS e foi o primeiro análogo sintético da semaglutida aprovado no Brasil após o fim da patente do Ozempic. Segundo a farmacêutica, a expectativa é comercializar o produto por um preço entre 20% e 30% menor que o praticado pelos concorrentes importados.

Especialistas avaliam que a entrada de novos fabricantes pode aumentar a concorrência no mercado e contribuir para reduzir os preços ao longo dos próximos anos, embora isso dependa da chegada de outras marcas e da estratégia comercial de cada empresa.

O medicamento não foi aprovado para tratar obesidade

Apesar de ser conhecido popularmente como uma “caneta emagrecedora”, o Ozivy recebeu autorização da Anvisa para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, sempre em conjunto com alimentação adequada e prática de atividade física.

O uso para obesidade ainda não faz parte das indicações aprovadas para esse medicamento específico. Embora médicos possam prescrever medicamentos de forma off label em situações previstas pela prática clínica, qualquer ampliação oficial da bula depende de uma nova análise da Anvisa.

O preço menor não elimina a necessidade de acompanhamento médico

Medicamentos à base de semaglutida atuam imitando a ação do hormônio GLP-1, ajudando no controle da glicemia e aumentando a sensação de saciedade. Por esse motivo, seu uso exige acompanhamento médico para avaliar benefícios, contra indicações, possíveis efeitos adversos e a necessidade de ajuste das doses.

Mesmo com a expectativa de preços mais acessíveis, especialistas reforçam que esses medicamentos não devem ser utilizados por conta própria nem como alternativa para emagrecimento estético sem indicação clínica.

Entrada no SUS ainda depende de outra etapa

A definição do preço máximo também não significa que o medicamento será incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Caso o laboratório tenha interesse nessa incorporação, o produto ainda precisará passar por uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisa evidências científicas, custo-benefício e impacto orçamentário antes de recomendar ou não sua oferta na rede pública. Somente após esse processo e eventual decisão do Ministério da Saúde o medicamento poderá integrar a lista de tratamentos disponibilizados pelo SUS.

Partilhe esta notícia