Cientistas fazem alerta para brasileiros que usam canetas emagrecedoras após meses de uso

4 Minuto de leitura

Pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) divulgaram novos achados sobre o funcionamento das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic e Wegovy. Os estudos ajudam a explicar por que os efeitos dos remédios podem mudar ao longo do tratamento e por que a perda de peso tende a desacelerar após alguns meses de uso.

As descobertas foram feitas a partir de experimentos com camundongos e apontam que os medicamentos afetam diretamente células cerebrais ligadas ao controle do apetite, da saciedade e da náusea. Até então, os cientistas já sabiam que os remédios reduziam a fome, mas ainda havia dúvidas sobre os mecanismos internos ativados nos neurônios.

Os agonistas de GLP-1 atuam desacelerando o esvaziamento do estômago, reduzindo o apetite, melhorando a sensibilidade à insulina e ajudando no controle da glicose no sangue. No entanto, os pesquisadores alertam que a resposta ao tratamento depende de vários fatores, como genética, saúde metabólica, alimentação, qualidade do sono, nível de estresse, composição corporal e hábitos de vida.

Foto: (Reprodução/Shutterstock)

Perda de peso rápida pode trazer efeitos colaterais

Especialistas afirmam que pacientes que utilizam os medicamentos sem acompanhamento adequado podem apresentar perda excessiva de massa muscular, fadiga, afinamento capilar e alterações no rosto causadas pela redução acelerada de gordura corporal — efeito popularizado nas redes sociais como “rosto de Ozempic”.

Na medicina estética, médicos relatam aumento de casos de flacidez da pele, perda de volume facial e aparência cansada em pacientes que emagrecem rapidamente durante o tratamento.

Os pesquisadores reforçam que o foco do acompanhamento médico não deve ser apenas a redução do peso na balança, mas também a preservação da saúde metabólica e da composição corporal ao longo do processo.

Outro ponto destacado pelos cientistas é que os medicamentos não apresentam os mesmos resultados em todos os pacientes. Algumas pessoas percebem forte redução do apetite em poucas semanas, enquanto outras necessitam de aumento gradual da dose e períodos mais longos de tratamento para alcançar efeitos significativos.

Estudos apontam riscos gastrointestinais

As pesquisas também reforçam preocupações relacionadas aos efeitos adversos mais comuns dos medicamentos da classe GLP-1.

Revisões científicas envolvendo dezenas de estudos clínicos apontaram aumento dos casos de náusea, vômito, diarreia e constipação intestinal entre usuários dos remédios, inclusive em pessoas sem diabetes.

Em uma análise com pacientes diagnosticados com diabetes tipo 2, a náusea foi registrada em cerca de 19% dos participantes tratados com agonistas de GLP-1, enquanto episódios de vômito apareceram em aproximadamente 7,6% dos casos.

Os cientistas também observaram que aumentos rápidos na dosagem da semaglutida podem potencializar tanto a perda de peso quanto os efeitos colaterais.

Medicamentos ganharam espaço no tratamento da obesidade

Originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, os medicamentos à base de GLP-1 passaram a ser amplamente utilizados também no combate à obesidade devido à capacidade de reduzir o apetite e favorecer o emagrecimento.

O GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e atua principalmente no cérebro, no pâncreas e no trato gastrointestinal. Já os medicamentos simulam essa ação hormonal para ajudar no controle da glicemia e do peso corporal.

Partilhe esta notícia