Pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) divulgaram novos achados sobre o funcionamento das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic e Wegovy. Os estudos ajudam a explicar por que os efeitos dos remédios podem mudar ao longo do tratamento e por que a perda de peso tende a desacelerar após alguns meses de uso.
As descobertas foram feitas a partir de experimentos com camundongos e apontam que os medicamentos afetam diretamente células cerebrais ligadas ao controle do apetite, da saciedade e da náusea. Até então, os cientistas já sabiam que os remédios reduziam a fome, mas ainda havia dúvidas sobre os mecanismos internos ativados nos neurônios.
Os agonistas de GLP-1 atuam desacelerando o esvaziamento do estômago, reduzindo o apetite, melhorando a sensibilidade à insulina e ajudando no controle da glicose no sangue. No entanto, os pesquisadores alertam que a resposta ao tratamento depende de vários fatores, como genética, saúde metabólica, alimentação, qualidade do sono, nível de estresse, composição corporal e hábitos de vida.
Perda de peso rápida pode trazer efeitos colaterais
Especialistas afirmam que pacientes que utilizam os medicamentos sem acompanhamento adequado podem apresentar perda excessiva de massa muscular, fadiga, afinamento capilar e alterações no rosto causadas pela redução acelerada de gordura corporal — efeito popularizado nas redes sociais como “rosto de Ozempic”.
Na medicina estética, médicos relatam aumento de casos de flacidez da pele, perda de volume facial e aparência cansada em pacientes que emagrecem rapidamente durante o tratamento.
Os pesquisadores reforçam que o foco do acompanhamento médico não deve ser apenas a redução do peso na balança, mas também a preservação da saúde metabólica e da composição corporal ao longo do processo.
Outro ponto destacado pelos cientistas é que os medicamentos não apresentam os mesmos resultados em todos os pacientes. Algumas pessoas percebem forte redução do apetite em poucas semanas, enquanto outras necessitam de aumento gradual da dose e períodos mais longos de tratamento para alcançar efeitos significativos.
Estudos apontam riscos gastrointestinais
As pesquisas também reforçam preocupações relacionadas aos efeitos adversos mais comuns dos medicamentos da classe GLP-1.
Revisões científicas envolvendo dezenas de estudos clínicos apontaram aumento dos casos de náusea, vômito, diarreia e constipação intestinal entre usuários dos remédios, inclusive em pessoas sem diabetes.
Em uma análise com pacientes diagnosticados com diabetes tipo 2, a náusea foi registrada em cerca de 19% dos participantes tratados com agonistas de GLP-1, enquanto episódios de vômito apareceram em aproximadamente 7,6% dos casos.
Os cientistas também observaram que aumentos rápidos na dosagem da semaglutida podem potencializar tanto a perda de peso quanto os efeitos colaterais.
Medicamentos ganharam espaço no tratamento da obesidade
Originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, os medicamentos à base de GLP-1 passaram a ser amplamente utilizados também no combate à obesidade devido à capacidade de reduzir o apetite e favorecer o emagrecimento.
O GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e atua principalmente no cérebro, no pâncreas e no trato gastrointestinal. Já os medicamentos simulam essa ação hormonal para ajudar no controle da glicemia e do peso corporal.
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