A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida para tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. As autorizações para a farmacêutica brasileira EMS foram publicadas no Diário Oficial da União na última terça-feira (8).
Os produtos têm concentração de 6 mg/mL e utilizam o mesmo princípio ativo presente em medicamentos como Saxenda e Victoza. A aprovação amplia a possibilidade de concorrência no mercado de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
Olire e Lirux já eram medicamentos registrados pela EMS no país. O que foi autorizado agora são as versões genéricas dos produtos, que poderão ser comercializadas sem uma marca própria e identificadas pelo nome da substância ativa.
Olire e Lirux têm indicações diferentes
A liraglutida é utilizada em tratamentos com finalidades diferentes, dependendo do medicamento e da indicação aprovada. O Olire é destinado ao controle do peso, enquanto o Lirux é indicado para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2.
No caso do tratamento da obesidade e do sobrepeso, a liraglutida pode ser indicada para determinados pacientes de acordo com critérios clínicos. A decisão sobre o uso do medicamento deve considerar as condições de saúde e a avaliação médica.
O Lirux, por sua vez, é utilizado para auxiliar no controle da glicemia em pessoas com diabetes tipo 2. O tratamento é associado a mudanças na alimentação e à prática de atividade física, conforme orientação profissional.
Genéricos podem reduzir preço dos medicamentos
A aprovação das versões genéricas pode aumentar a concorrência e ampliar as opções disponíveis no mercado. Pela legislação brasileira, medicamentos genéricos devem ser comercializados por um preço pelo menos 35% menor que o do produto de referência.
Apesar da autorização da Anvisa, os novos produtos não chegam automaticamente às farmácias. A EMS ainda precisa definir os preços e as datas de lançamento das versões genéricas de liraglutida.
A mudança ocorre em um momento de expansão da oferta de medicamentos da classe GLP-1 no país. Em agosto, a Anvisa também aprovou novos registros de medicamentos à base de semaglutida, incluindo uma versão genérica.
Liraglutida faz parte da classe dos agonistas de GLP-1
A liraglutida pertence à classe dos agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1). Esses medicamentos atuam em mecanismos relacionados à regulação da glicose e do apetite e são utilizados no tratamento de condições como diabetes tipo 2 e obesidade, conforme a indicação de cada produto.
Além da liraglutida, fazem parte dessa classe substâncias como semaglutida e tirzepatida. A semaglutida está presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, enquanto a tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro.
A liraglutida também tem uma diferença importante em relação a alguns medicamentos mais recentes da classe: sua aplicação é diária, enquanto produtos à base de semaglutida e tirzepatida podem ter esquemas de aplicação diferentes, conforme o medicamento e a indicação.
Mercado de medicamentos para obesidade ganha novos concorrentes
A Anvisa vem analisando novos pedidos de registro de medicamentos com liraglutida e semaglutida diante do crescimento da procura e da necessidade de ampliar a oferta no país.
Em abril, a agência informou que havia cinco medicamentos com liraglutida registrados no Brasil, de dois laboratórios, além de sete pedidos ainda em análise.
Com a aprovação dos registros genéricos de Olire e Lirux, a tendência é de maior concorrência entre os fabricantes de medicamentos à base de liraglutida. A chegada efetiva das novas versões às farmácias, porém, depende agora da definição comercial da EMS.
