ACM Neto (União) teria manifestado interesse em integrar um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), após apoiar o presidenciável no segundo turno da disputa presidencial.
A articulação inclui a possibilidade de ocupar um ministério com atuação ligada à Bahia e ao Nordeste, de acordo com lideranças que participaram de um encontro na última quarta-feira (7) e falaram sob condição de anonimato.
Além de organizar uma agenda de Flávio na Bahia para ampliar a votação no estado, os aliados teriam discutido pleitos para uma futura gestão.
Interlocutores indicam que o ex-prefeito de Salvador gostaria de uma pasta nos moldes do antigo Ministério da Integração Nacional, voltada à redução das desigualdades regionais e à coordenação de áreas como Defesa Civil e infraestrutura hídrica.
A pasta foi criada em 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em 2019, na gestão de Jair Bolsonaro, foi fundida ao Ministério das Cidades, dando origem ao Ministério do Desenvolvimento Regional.
Em janeiro de 2023, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva desmembrou as áreas e a pasta passou a se chamar Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
A Bahia teve representantes no comando do ministério. Geddel Vieira Lima ocupou o cargo entre 2007 e 2010, período em que administrou obras como a transposição do Rio São Francisco. Em 2010, o engenheiro João Reis Santana Filho assumiu a função, com continuidade de investimentos em segurança hídrica e saneamento.
Outra possibilidade discutida seria ampliar a influência política de Neto por meio de cargos na estrutura federal e de maior contato com prefeitos. O movimento também poderia manter ativo seu projeto político para 2030. A possibilidade de participação no ministério viria acompanhada de um aceno de que ele não seria candidato à Prefeitura de Salvador.
As articulações também envolveriam a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), autarquias e empresas públicas federais vinculadas ao MIDR. As instituições atuam em desenvolvimento regional, infraestrutura hídrica e apoio a municípios, com presença especialmente relevante no Nordeste e na Bahia.

