Uma nova análise da NASA reforça uma das principais hipóteses sobre a transformação de Marte em um planeta frio e seco. Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram observar diretamente um processo que ajuda a explicar como o planeta vermelho perdeu grande parte de sua atmosfera, mudança que tornou impossível a existência de água líquida de forma estável na superfície.
O estudo utilizou dados coletados pela sonda Maven, missão lançada em 2013 para investigar justamente a evolução da atmosfera marciana. Os resultados indicam que a chamada pulverização catódica teve um papel mais importante do que se imaginava nesse processo, especialmente nos primeiros bilhões de anos da história do planeta, quando a atividade do Sol era muito mais intensa.
A descoberta oferece novas pistas para responder a uma pergunta que acompanha a exploração de Marte há décadas: o que aconteceu com a água que, segundo diversas evidências geológicas, já correu por rios, lagos e possivelmente até oceanos no planeta?
Observação confirma fenômeno previsto por cientistas
A pulverização catódica ocorre quando partículas carregadas do vento solar atingem a atmosfera de um planeta e expulsam parte de seus átomos para o espaço. O mecanismo já era conhecido pelos pesquisadores, mas ainda faltavam observações capazes de mostrar sua atuação de forma direta.
Foi esse registro que a equipe da missão Maven conseguiu obter. Os instrumentos da sonda detectaram concentrações elevadas de argônio em regiões da alta atmosfera onde ocorre o impacto das partículas solares, permitindo mapear o fenômeno com um nível de detalhe inédito.
A análise mostrou que, durante tempestades solares, a perda de átomos pode ser até 4 vezes maior do que apontavam estimativas anteriores. Para os pesquisadores, isso indica que a erosão da atmosfera marciana foi mais intensa do que se acreditava.
Os resultados divulgados pela NASA ajudam a preencher uma lacuna importante na reconstrução da história climática do planeta.
Atmosfera mais fina mudou completamente o ambiente marciano
Hoje, Marte possui uma atmosfera cerca de 100 vezes menos densa que a da Terra. Sem uma camada capaz de manter pressão suficiente e proteger o planeta do vento solar, a água líquida deixou de permanecer estável na superfície.
Parte desse antigo volume de água acabou congelada nas calotas polares. Outra ficou armazenada em minerais presentes nas rochas, enquanto uma parcela escapou para o espaço ao longo de bilhões de anos à medida que a atmosfera era gradualmente desgastada.
A nova pesquisa não atribui toda essa transformação a um único mecanismo, mas mostra que a pulverização catódica teve uma participação mais significativa do que os modelos anteriores indicavam. Essa informação deve contribuir para estudos sobre a evolução do planeta e ajudar no planejamento de futuras missões voltadas à busca por sinais de vida antiga em Marte.
A missão Maven continua em operação e segue monitorando a interação entre a atmosfera marciana e o vento solar.
As informações enviadas pela sonda são consideradas fundamentais para compreender como Marte perdeu as condições que, em um passado distante, permitiram a presença de água líquida em sua superfície.
![A pista que pode explicar como Marte perdeu condições para manter água líquida estava presa nas rochas [Alt Padrão]](https://i0.wp.com/nordeste7.com.br/wp-content/uploads/2026/07/pexels-zelch-12491595-scaled.jpg?resize=420%2C280&ssl=1)