A ilha com 42 praias ganhou um título que não tem relação com turismo e agora quer ser conhecida pela inovação

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Florianópolis recebeu, em 2024, o título oficial de Capital Nacional das Startups. O reconhecimento consolidou a capital catarinense como um dos principais polos de tecnologia e empreendedorismo do Brasil, disputando espaço com a imagem histórica ligada às suas 42 praias.

A cidade ocupa uma ilha que responde por cerca de 97% do território municipal. Além do avanço tecnológico, Florianópolis figura entre as capitais brasileiras com os melhores índices sociais, sustentando um dos maiores IDHMs do país.

Uma base tecnológica construída a partir da UFSC

O caminho até o título nacional não começou agora. Já nos anos 1980, projetos ligados à Universidade Federal de Santa Catarina lançaram as bases de um ecossistema que, décadas depois, atrairia empresas, pesquisadores e investidores para a ilha.

Duas instituições foram decisivas nesse processo: a Fundação CERTI, criada pela própria UFSC, e a incubadora CELTA. Juntas, ajudaram a estruturar uma rede de inovação que se espalhou pela cidade nos anos seguintes.

O resultado apareceu no apelido que a região ganhou: Ilha do Silício brasileira.

Levantamentos do governo federal apontam que Florianópolis reúne centenas de empresas de tecnologia e está entre as cidades com maior concentração de startups por habitante no país.

Herança açoriana resiste ao lado das praias

Enquanto a vocação tecnológica crescia, a identidade açoriana permaneceu como marca da cidade. A colonização portuguesa remonta ao século XVII, mas foi a chegada de imigrantes dos Açores e da Madeira, a partir de 1748, que moldou boa parte da cultura local.

Essa herança aparece hoje na arquitetura, nas festas populares e na gastronomia com forte presença de frutos do mar. No Ribeirão da Ilha, comunidades tradicionais ainda vivem da pesca e do cultivo de ostras, mantendo hábitos herdados daquele período.

Outro símbolo da cidade, o apelido Ilha da Magia, tem origem nas lendas de bruxaria registradas pelo pesquisador Franklin Cascaes ao longo do século XX.

As praias seguem centrais nesse cenário. No norte da ilha, Jurerê Internacional, Canasvieiras e Ingleses concentram infraestrutura turística e mar mais calmo. Joaquina e Mole, na região leste, atraem surfistas e frequentadores da vida noturna. Já o sul mantém trechos de Mata Atlântica preservada e comunidades tradicionais, caso de Pântano do Sul, Armação e do próprio Ribeirão da Ilha.

Outros pontos, como a Lagoa da Conceição, o Parque Municipal da Lagoa do Peri e a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, completam um roteiro que hoje divide espaço com escritórios de startups e centros de pesquisa espalhados pela ilha.

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