# WSJ critica reeleição de Lula e aponta riscos fiscais e institucionais

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- Published: 2026-10-27T05:00:13-03:00
- Author: Felip trends

Em editorial publicado após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o conselho
editorial do _The Wall Street Journal_ criticou a vitória do presidente e associou
o resultado à reação negativa dos mercados. Lula venceu o segundo turno com 51,8%
dos votos, ante 48,2% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que havia liderado a 
primeira etapa da disputa.

O principal índice da Bolsa brasileira caiu 10% na abertura das negociações de segunda-
feira, levando à suspensão temporária das operações. Após a retomada, as perdas 
aumentaram e o indicador fechou com recuo de quase 14%. Os ADRs da Petrobras caíram
14%, os do Itaú Unibanco recuaram 20% e o fundo EWZ perdeu 19,4%. O real desvalorizou
8,7% frente ao dólar, e o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos previstos
para a semana.

O jornal atribuiu a reação à preocupação com as contas públicas e a continuidade
da política econômica. O editorial afirmou que o déficit fiscal poderá chegar perto
de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Também apontou que os déficits superaram
8% do PIB em cada um dos quatro anos anteriores e que a dívida pública passa de 
82% do produto.

Na avaliação do WSJ, juros elevados ampliam os custos de financiamento da dívida.
A taxa básica está em 13,75%. O jornal citou ainda projeções de crescimento de 2,3%
em 2025 e inferior a 2% em 2026, além de uma avaliação do Goldman Sachs, divulgada
na semana anterior à eleição, segundo a qual um ajuste fiscal é “urgentemente necessário”.

O editorial também questionou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) durante
a eleição. Entre os episódios mencionados está a prorrogação da votação por duas
horas, determinada pelo ministro [Cristiano Zanin](https://nordeste7.com.br/nunes-marques-confirma-reeleicao-de-lula-e-faz-balanco-do-pleito/)
após pedido da campanha petista e posteriormente acatada pela Justiça Eleitoral.
O jornal ainda apontou que Lula poderá indicar até quatro ministros ao STF nos próximos
quatro anos.

Ao tratar dos riscos econômicos, a publicação mencionou a memória da hiperinflação
brasileira dos anos 1990, quando a alta dos preços chegou a superar 1.000% ao ano.
O texto concluiu que a queda dos ativos refletiu desconfiança dos investidores em
relação ao novo mandato.
