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UNE vê estudantes na linha de frente às vésperas do segundo turno

A dirigente relaciona a mobilização à defesa da democracia e da educação pública e aponta dificuldades de financiamento e permanência nas universidades.

UNE vê estudantes na linha de frente às vésperas do segundo turno

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirma que universitários e secundaristas voltaram às ruas em um momento decisivo para o país, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Estudantes têm realizado atos em diversas cidades em defesa da democracia e da educação pública e para se posicionar sobre os candidatos e suas propostas.

Em entrevista, Borges avaliou que a eleição envolve o futuro do país e alertou para o que considera risco de avanço de um governo autoritário, contrário à educação e associado a retrocessos. A dirigente declarou que a mobilização estudantil faz parte de uma trajetória histórica de participação política.

Ela citou a luta contra a ditadura militar, a campanha por eleições diretas e mobilizações pelo impeachment de Fernando Collor, além de atos contra os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. “Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça”, afirmou.

Borges também apontou desafios das universidades públicas, entre eles o subfinanciamento, a ampliação da assistência estudantil e a garantia de condições para que alunos de baixa renda permaneçam nos cursos. Para a presidente da UNE, a defesa da democracia está ligada à valorização da universidade pública e às condições de vida da juventude e da classe trabalhadora.

A dirigente defendeu que a organização estudantil continue depois do período eleitoral. Segundo ela, a participação coletiva é necessária para transformar reivindicações em direitos, e a mobilização não deve terminar com o segundo turno, qualquer que seja o resultado.

Na sexta-feira anterior à publicação da entrevista, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Ricardo Villas Bôas Cueva negou pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para barrar publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, incluindo a UNE.

Estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Borges assumiu a presidência da entidade para o mandato de 2025 a 2027. Ela iniciou sua trajetória no movimento estudantil aos 14 anos, em Praia Grande, e também presidiu a União Estadual dos Estudantes de São Paulo.