Uma estátua antiga reacendeu a discussão sobre o faraó ligado a Moisés e voltou a dividir arqueólogos e estudiosos da Bíblia

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Uma escavação no delta do Nilo localizou um bloco monumental de pedra pertencente ao faraó Ramsés II. O achado foi feito pela equipe do Conselho Supremo de Antiguidades no sítio de Tell el-Faraoun, na governadoria de Kafr el-Sheikh.

O fragmento corresponde à parte superior do monumento, preservando a cabeça e o tronco da figura real. A peça de granito mede cerca de 2,2 metros de altura e seu peso estimado fica entre cinco e seis toneladas. Especialistas confirmaram a identidade pelas feições do monarca, que governou o Egito entre 1279 e 1213 a.C.

Os arqueólogos acreditam que o monumento foi esculpido em Pi-Ramesses, capital fundada pelo próprio soberano. Posteriormente, a estrutura de grande porte teria sido transferida para o atual local por razões de culto ou política. A movimentação de peças desse tamanho era uma prática comum no império.

Achado reacende debate sobre a identidade do monarca que enfrentou Moisés

A revelação atraiu o interesse de teólogos devido à associação clássica entre Ramsés II e o líder Moisés.

Na narrativa bíblica, o governante da época resistiu à libertação dos povos escravizados no território egípcio.

A antiga cidade de Pi-Ramesses é mencionada nas escrituras sagradas como um dos centros urbanos erguidos por trabalho forçado. A comunidade acadêmica, no entanto, lembra que vestígios físicos ilustram o contexto da época, mas raramente servem para confirmar eventos religiosos de forma direta e literal.

Vestígios no Delta do Nilo revelam nova centralidade política e religiosa

Além do aspecto teológico, o bloco de granito altera o entendimento sobre a geopolítica do Egito Antigo. A presença da obra demonstra que o controle e a influência de Ramsés II no delta do Nilo eram muito mais fortes do que a história imaginava.

Áreas que antes eram subestimadas ou tratadas como periféricas pelos historiadores ganham um novo status. Os vestígios indicam que esses locais exerciam um papel central na administração e nas práticas de culto coordenadas pelo faraó.

Essa revisão histórica mostra que o império era descentralizado e que o delta concentrava grandes monumentos de poder. O achado arqueológico cumpre, assim, a função de redefinir a importância geográfica de antigas regiões da civilização egípcia.

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