Vista à distância, a Pedra da Gávea se impõe como um dos cartões-postais mais reconhecidos do Rio de Janeiro. Com 842 metros de altitude, a formação rochosa está localizada no interior do Parque Nacional da Tijuca e é considerada o maior monólito à beira-mar do mundo. O que muitos visitantes desconhecem, porém, é que o acesso ao topo envolve uma das trilhas mais perigosas do país, cenário frequente de acidentes e resgates.
A montanha é formada principalmente por granito e gnaisse, rochas que remontam a cerca de 600 milhões de anos. Essa composição geológica, aliada ao relevo íngreme e à exposição constante ao vento e à umidade, moldou um percurso instável, com trechos escorregadios e paredes praticamente verticais. Diferentemente de trilhas urbanas ou ecológicas tradicionais, a Pedra da Gávea exige preparo físico elevado, noções básicas de escalada e atenção constante às condições climáticas.
Carrasqueira concentra maior parte dos acidentes
O ponto mais crítico do trajeto é conhecido como Carrasqueira, uma passagem inclinada em rocha lisa onde não há degraus naturais nem trilhas bem definidas. Nesse trecho, o uso de equipamentos de segurança, como cordas e cadeirinhas, é recomendado por montanhistas experientes, embora muitos visitantes ignorem essa orientação. A combinação entre altura, exposição ao vazio e falta de apoio adequado transforma a Carrasqueira no principal fator de risco da subida.
Segundo o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, a Pedra da Gávea lidera o número de ocorrências de resgate em trilhas na capital fluminense. As operações são recorrentes e, em alguns períodos do ano, chegam a ocorrer semanalmente. A maioria dos atendimentos envolve turistas sem experiência prévia, que subestimam a dificuldade técnica do percurso ou iniciam a trilha sem equipamentos apropriados.
Levantamento publicado pelo Diário do Rio aponta que a montanha está entre os locais que mais demandam ações de salvamento no Parque Nacional da Tijuca, ao lado de áreas como o Morro Dois Irmãos e o Morro da Urca. Além dos riscos físicos, o tempo de resposta em emergências pode ser prolongado, já que o acesso de equipes de resgate depende de condições meteorológicas e de luz natural.
Apesar dos perigos, a trilha segue aberta ao público, sem necessidade de autorização prévia. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) recomenda que a subida seja feita apenas por pessoas com preparo físico adequado, preferencialmente acompanhadas por guias ou montanhistas experientes, e alerta que resgates podem gerar custos e riscos adicionais às equipes envolvidas.