O jeito de movimentar dinheiro no Brasil mudou de forma rápida nos últimos anos. Transferências que antes geravam cobrança de tarifa passaram a ser feitas de forma instantânea e gratuita, o que alterou a rotina de milhões de pessoas.
Essa transformação também mexeu com a estrutura de receitas das grandes instituições financeiras. Serviços que durante anos garantiram parte importante do faturamento passaram a perder espaço para soluções digitais mais simples e baratas.
Itaú, Bradesco e Banco do Brasil sentem impacto nas receitas
Três dos maiores bancos do país, Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil, tiveram redução significativa na arrecadação com tarifas de contas em 2025. Juntos, eles somaram R$ 15,155 bilhões nesse tipo de receita, o que representa queda de 15 por cento em relação ao ano anterior.
O movimento ocorre em meio ao avanço do Pix e ao crescimento das fintechs, que oferecem contas digitais com menos custos e menos cobrança de taxas. A mudança no comportamento dos clientes diminuiu a dependência de serviços tradicionais como TED, DOC e manutenção de conta.
No último trimestre de 2025, os três bancos também registraram recuo de 1,6 por cento nas receitas com prestação de serviços, que incluem tarifas de conta corrente. O único entre os grandes que apresentou leve alta nesse segmento foi o Santander.
A queda acompanha uma tendência estrutural. Cada vez mais clientes utilizam transferências instantâneas e gratuitas em vez de serviços pagos. Além disso, contas digitais reduziram o uso de agências físicas e diminuíram custos operacionais.
Entre os principais fatores que explicam essa redução estão:
• Popularização do Pix como principal meio de transferência
• Menor uso de TED e outros serviços tarifados
• Crescimento das fintechs com modelos digitais
• Redução da cobrança por manutenção de conta
Mudança de modelo não preocupa bancos
Apesar da perda em tarifas, analistas avaliam que o impacto não é visto como ameaça à rentabilidade do setor. O Pix substituiu formas antigas de transferência, mas também ampliou o número de pessoas no sistema financeiro.
O Banco Central informou que o Pix promoveu inclusão financeira ao atrair novos usuários e estimular transações digitais. Ao mesmo tempo, a redução de custos operacionais compensou parte da queda nas receitas.
Especialistas do mercado destacam que os grandes bancos vêm adaptando seus modelos de negócio. Em vez de dependerem apenas de tarifas, eles ampliaram ganhos com crédito, investimentos e serviços digitais integrados.
A Federação Brasileira de Bancos informou que as regras de cobrança de tarifas no Brasil seguem normas definidas desde 2010. Com a chegada do Open Finance, que facilita a portabilidade de serviços, a concorrência aumentou e pressionou ainda mais os preços.
Outro ponto relevante é que instituições tradicionais continuam investindo em tecnologia para manter clientes. Aplicativos mais completos e plataformas digitais passaram a concentrar diferentes serviços em um único ambiente.
Mesmo com a queda de quase R$ 2 bilhões nas receitas com tarifas, o setor bancário mantém resultados robustos em outras linhas de negócio. A digitalização acelerou a transformação do mercado financeiro, e o Pix se consolidou como peça central dessa mudança no Brasil.