O Dia Mundial sem Carro reforça a importância de reduzir os deslocamentos individuais motorizados, mas também expõe um desafio: deixar o automóvel em casa só pode ser uma escolha quando existe uma alternativa de transporte capaz de atender à população.
A substituição de carros e motos por ônibus pode diminuir emissões, acidentes de trânsito e congestionamentos. Cada passageiro que opta pelo transporte coletivo também ocupa menos espaço nas ruas e contribui para uma cidade mais eficiente.
Oferta precisa acompanhar a necessidade
O transporte público coletivo é reconhecido pela Constituição como serviço público essencial. Por isso, sua operação deve ser tratada como parte da infraestrutura necessária ao funcionamento das cidades, e não depender apenas da quantidade de passageiros pagantes em determinadas áreas ou horários.
A queda na demanda, acompanhada pela redução da oferta, cria um ciclo difícil de interromper. Ônibus demorados e lotados tornam o serviço menos atraente, estimulam a migração para carros e motos e contribuem para o aumento do congestionamento, dos acidentes e da poluição.
Para mudar esse cenário, é necessário garantir recursos públicos suficientes para manter uma rede abrangente. O passageiro precisa contar com frequência, conforto, segurança e confiabilidade, além de caminhar pouco até os pontos. Informações acessíveis pelo celular sobre horários, linhas e trajetos também fazem parte desse serviço.
Embora o ônibus não ofereça a mesma privacidade de um automóvel, um transporte coletivo de qualidade pode garantir mobilidade eficiente para milhões de pessoas usando menos espaço urbano. A oferta de um serviço abundante e barato ainda amplia o acesso a empregos e educação e ajuda a reduzir a pobreza.
