Um técnico de enfermagem do Hospital Geral de Parauapebas (HGP) apresentou denúncias sobre condições de trabalho e atendimento na unidade ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao sindicato da categoria.
José Carlos Silva do Carmo, funcionário do hospital há mais de sete anos e representante dos empregados na CIPA, atribui à gestão do hospital problemas que incluem assédio e desvio de função.
As reclamações ao sindicato e ao MPPA são datadas de 18 de outubro de 2026. A denúncia ao MPT foi assinada digitalmente em 29 de outubro e encaminhada à Procuradoria Regional do Trabalho da 8ª Região. O HGP é administrado pela Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura (ASELC). Até o momento, não há procedimento instaurado sobre a denúncia.
Relatos sobre o atendimento e o trabalho
Um dos pontos apresentados trata de uma passagem aberta na área de pré-parto, por onde, segundo o denunciante, circulam funcionários e acompanhantes enquanto mulheres aguardam o trabalho de parto. Ele pede vistoria, apuração de eventual violência obstétrica e verificação de quem acessa o setor. Em depoimento na delegacia, afirmou ter solicitado verbalmente a correção, sem resultado.
O técnico também questiona tarefas que, em sua avaliação, não caberiam à enfermagem: controle de pertences de visitantes na UTI, transporte de pacientes e macas, entrega de materiais à Central de Material e Esterilização e coleta de exames na Sala Vermelha e na UTI.
O pedido ao MPT inclui análise do dimensionamento das equipes. O relato menciona ainda falta de local adequado para descanso na UTI e uso da sala de isolamento por profissionais.
Na área salarial, a denúncia afirma que a categoria está há mais de três anos sem reajuste e contesta o pagamento de insalubridade de 20% na UTI e na Sala Vermelha.
O denunciante pede perícia para avaliar enquadramento em grau máximo, de 40%, conforme a NR-15. Também solicita fiscalização dos repasses públicos à ASELC, estimados no documento em R$ 14,7 milhões mensais.
Em boletim de ocorrência registrado pelo diretor-geral do HGP, Yuri Amorim Braga, a ASELC considera inverídicas as imputações e afirma pagar adicional de insalubridade de 40% aos profissionais expostos.
A organização diz que os recursos são públicos, vinculados ao contrato de gestão e sujeitos a prestação periódica de contas. A Prefeitura de Parauapebas e a direção do hospital foram procuradas para se manifestar; não há resposta registrada no material disponível.

