A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil pode abrir espaço para uma reorganização da direita, enquanto Tarcísio de Freitas já desponta como principal liderança da oposição, na avaliação do cientista político Elias Tavares. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, ele afirmou que Flávio corre o risco de perder protagonismo político.
Para Tavares, a decisão do senador pode ser interpretada de formas diferentes. Apoiadores mais fiéis do bolsonarismo podem entendê-la como proteção diante de medidas judiciais; outros eleitores de direita podem vê-la como abandono da liderança que Flávio poderia exercer após receber quase 60 milhões de votos na eleição presidencial.
O cientista político disse que Flávio poderia influenciar a bancada de oposição no Congresso, mas sua ausência do país levanta dúvidas sobre quem assumirá esse papel. “Mais uma vez, a direita carece de uma nova liderança”, afirmou.
Espaço para Tarcísio e outras lideranças
Tavares apontou que Tarcísio começou a ocupar esse espaço ao reconhecer publicamente a vitória de Lula e defender uma oposição voltada à fiscalização do governo e à responsabilidade fiscal. Em vídeo exibido no programa, o governador disse que aceitar o resultado das urnas não significa deixar de criticar a condução da eleição ou de cobrar medidas do novo governo.
Na avaliação do especialista, Tarcísio tenta construir um perfil diferente do discurso mais combativo do bolsonarismo, com ênfase na economia e na gestão pública. O peso político e administrativo do governo de São Paulo também pode ampliar seu protagonismo.
Tavares considera possível que Valdemar Costa Neto busque novas lideranças. Segundo ele, o PL saiu fortalecido das eleições, com uma bancada expressiva e recursos para financiar futuras campanhas. O Centrão, acrescentou, poderá atuar como “pêndulo no Congresso Nacional”, influenciando alianças e disputas.
Michelle Bolsonaro também foi citada como possível protagonista. Tavares apontou seu distanciamento da campanha de Flávio e aproximação com Valdemar. Com mandato no Senado, ela pode buscar espaço político próprio. O especialista considera possível que Michelle e Tarcísio tenham projetos presidenciais distintos em 2030, mas nenhuma candidatura está definida.

