# Tarcísio de Freitas é multado pelo TRE-SP por discurso eleitoral em culto evangélico

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- Published: 2026-09-01T06:46:30-03:00
- Author: Felip trends

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi multado em R$
2 mil por fazer discurso eleitoral durante um culto na Igreja Evangélica Assembleia
de Deus. A decisão, publicada no último sábado (29) apontou irregularidade em usar
espaço público para promover candidaturas.

A Lei das Eleições equipara templos religiosos a bens de uso comum para fins eleitorais,
ainda que sejam propriedade privada. Pela norma, locais aos quais a população em
geral tenha acesso (como igrejas) entram na mesma categoria de postes, viadutos 
e paradas de ônibus, onde é vedada qualquer tipo de propaganda eleitoral.

Procurada, a campanha de Tarcísio ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.

Na decisão, o juiz auxiliar da propaganda eleitoral do Tribunal Regional de Eleitoral
de São Paulo (TRE-SP), Ronnie Herbert Barros Soares, ressaltou que a liberdade religiosa
é compatível com essa vedação.

“A ilicitude decorre exclusivamente do emprego do espaço religioso para manifestação
de apoio a candidaturas determinadas”, disse o magistrado na decisão.

O discurso ocorreu na noite de 17 de agosto. Segundo a representação, Tarcísio discursou
do púlpito da igreja, usando o sistema de som do templo, e dirigiu-se nominalmente
a candidatos de seu grupo político, indicando os cargos aos quais concorriam.

O governador mencionou o deputado federal Paulo Freire (PL), a quem disse: “você
tem que continuar sendo instrumento na Câmara dos Deputados”. Também citou o deputado
estadual André do Prado (PL) o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite(
PP-SP), ambos concorrendo a vagas no Senado, e a deputada estadual Marta Costa (
PSD).

“O Estado de São Paulo merece bons senadores. Merece André do Prado e Guilherme 
Derrite. A Câmara Federal merece Paulo Freire (…) E a Assembleia Legislativa merece
Marta Costa. Aliás, a Assembleia Legislativa merece e eu mereço também, porque eu
preciso de alguém para continuar me apoiando lá”, disse o governador na ocasião.

Na decisão, o juiz Ronnie Herbert Barros Soares reconheceu conteúdo religioso no
início da fala, com referência a um trecho do livro de Jeremias. Apontou, porém,
mudança de tom quando o governador passou a tratar da disputa eleitoral e apresentou
nominalmente as candidaturas de seu grupo político.

Na defesa, Tarcísio alegou ter sido convidado para participar do culto e classificou
a manifestação como religiosa, sem pedido explícito de voto ou menção a número de
urna. A defesa também invocou as liberdades de crença e de expressão, e pediu a 
improcedência da representação.

O juiz rejeitou o argumento. Segundo a decisão, a ausência de fórmulas como “vote
em” ou “peço seu voto” não descaracteriza o ilícito: a apresentação nominal de candidatos,
associada à indicação dos cargos disputados e a elogios às suas atuações, já configura
manifestação de apoio eleitoral. A decisão também descartou a tese de que a propaganda
em templo exigiria número de urna ou associação literal entre o resultado eleitoral
e a vontade divina.

A representação foi movida pela coligação Desperta São Paulo, que abriga o principal
adversário de Tarcísio: o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).
