# StoneX eleva previsão de safra de café 26/27 do Brasil e vê situação favorável para 27/28

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- Published: 2026-09-03T05:16:23-03:00
- Author: Felip trends

A safra de café do Brasil 2026/27 foi estimada nesta quarta-feira em recorde de 
77,2 milhões de sacas de 60 kg, aumento de 2,6% ante a previsão divulgada em março,
apontou a consultoria e corretora StoneX, vendo até o momento uma boa situação para
o próximo ciclo (2027/28).

Uma condição favorável de chuvas nos períodos de enchimento de grãos se refletiu
em cafés mais pesados do arábica, proporcionando um bom rendimento em 2026/27, com
colheita próxima de ser encerrada, disse o técnico de pesquisa em Inteligência de
Mercado da StoneX, João Pena, em apresentação online.

Com a revisão, a consultoria estima um crescimento de 23,9% na safra no maior produtor
e exportador global de café, no comparativo com o ciclo anterior, impulsionado pelas
altas produtividades nas lavouras de arábica em 2026/27.

A safra de café arábica foi estimada em 51,8 milhões de sacas, ante 50,2 milhões
na previsão de março, enquanto a colheita de grãos canéforas (robusta e conilon)
foi revisada para 25,4 milhões de sacas, versus 25,1 milhões anteriormente, segundo
a apresentação da StoneX.

A safra de arábica 2026/27 deverá crescer 41,9% ante a temporada anterior, enquanto
no caso do canéfora deve ter uma queda de 1,6% na comparação com o volume recorde
de 25,8 milhões de sacas de 2025/26.

Apesar dos grandes volumes produzidos de arábica, as chuvas atrasaram a colheita
e trouxeram preocupações sobre a qualidade, ponderou o especialista em Inteligência
de Mercado da StoneX Leonardo Rossetti.

Ele destacou ainda que produtores “bem remunerados” pelos altos preços nos últimos
anos seguraram vendas, limitando a oferta, com impacto nos mercados globais.

“O clima foi fator negativo para a qualidade, isso tem preocupado o mercado internacional”,
disse.

**Nova safra **

O tempo chuvoso, sob influência do El Niño, tem favorecido as floradas dos cafezais
da variedade arábica para a safra 2027/28, com muitas das florações sendo antecipadas,
segundo os especialistas.

Eles lembraram que nos últimos anos as regiões cafeeiras praticamente não viram 
chuvas de maio a julho e depois houve atraso nas precipitações em agosto e setembro,
uma situação diferente da registrada em 2026.

A boa umidade favoreceu o processo vegetativo das lavouras de arábica, de maneira
geral, e as condições têm sido benéficas para uma florada maior em setembro.

Segundo Rossetti, se o clima seguir úmido em setembro, há espaço até para o preço
internacional do café ceder, pois as floradas sinalizariam um bom início para a 
próxima safra.

Mas a safra 2027/28 depende muito ainda das condições climáticas durante o enchimento
de grãos, entre janeiro e março, disse o analista, ponderando que o Brasil já registrou
crescimento da produção mesmo em anos de El Niño.

Se houver uma seca com altas temperaturas nos primeiros meses de 2027, por conta
do fenômeno climático, o potencial produtivo seria reduzido.

No caso do café canéfora, com floradas já registradas, o Brasil tem condições de
ter uma safra em 2027/28 igual ou melhor ao recorde de 2025/26, disse Pena.

No caso do arábica, cujas lavouras em sua maioria deverão ver redução na produtividade—
uma vez que o próximo ciclo é o de baixa bienalidade –, aquela diminuição na safra
pode ser não tão acentuada pelo aumento da área do parque cafeeiro e pelas renovações
das lavouras com materiais genéticos mais produtivos.

Os analistas evitaram cravar um número para a próxima safra.
