A Fundação SOS Mata Atlântica completa 40 anos neste domingo (20), com projetos voltados à preservação do bioma, à proteção dos recursos hídricos, ao combate ao desmatamento e ao desenvolvimento sustentável. Criada em 20 de setembro de 1986, a organização mantém iniciativas em cidades do interior de São Paulo, como Barra Bonita, Lins e Itu.
Em Barra Bonita, o Rio Tietê concentra parte da história da mobilização ambiental. O curso d’água integra a paisagem, a economia e as atividades turísticas do município, incluindo passeios pela eclusa. A pesca também sustenta famílias da cidade.
Um memorial dedicado ao rio reúne livros, fotografias e painéis sobre a recuperação ambiental. Entre os registros está uma campanha que reuniu 1,2 milhão de assinaturas em defesa da despoluição do Tietê. O ambientalista Helio Palmesan, da ONG Mãe Natureza, participou da documentação dessa trajetória e também integrou, em 1992, uma expedição realizada na capital paulista para chamar a atenção das autoridades para a situação do rio.
Segundo Palmesan, o memorial tem função educativa ao mostrar aos visitantes que o Tietê pode apresentar diferentes condições ao longo de seu percurso. Em Barra Bonita, a recuperação do rio também impulsionou o turismo e passou a movimentar serviços ligados à economia local.
Monitoramento e restauração
O projeto “Observando os Rios” acompanha a qualidade da água em mais de 100 rios do bioma Mata Atlântica, com a participação de voluntários. O Tietê, que atravessa 62 municípios paulistas, está entre os rios monitorados. Para Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da fundação, o acompanhamento ajuda a mostrar que a recuperação depende de planejamento, investimento e tempo.
Na região de Lins, áreas às margens dos rios Dourado e Tietê passam por restauração. O trabalho inclui preparação do solo, plantio e irrigação. Uma das técnicas reúne cerca de 50 espécies de árvores nativas em uma mesma área. Desde 2015, mais de 2 milhões de mudas foram plantadas pelos projetos, em área equivalente a aproximadamente 940 campos de futebol.
Em Itu, a fundação mantém um centro de experimentos florestais instalado em uma antiga fazenda de café. O local reúne pesquisas, produção de mudas e técnicas de restauração. Mais de 380 hectares de floresta nativa foram recuperados, e o viveiro pode produzir até 750 mil mudas por ano, de mais de 100 espécies. Ao longo de quatro décadas, os projetos chegaram a mais de 680 cidades e recuperaram aproximadamente 24 mil hectares.
