# Senado agenda votação para legalizar bingos, cassinos e jogo do bicho após anos de discussão

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- Published: 2025-07-07T15:06:34-03:00
- Author: Nordeste7

O Senado Federal deve votar nesta terça-feira (8) o projeto de lei que legaliza 
bingos, cassinos, jogo do bicho e outras modalidades de jogos de azar no Brasil.
A proposta tramita há mais de três décadas no Congresso Nacional e está sendo articulada
para votação em plenário pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-
AP).

## Projeto conta com articulação de Alcolumbre e relator do texto

Segundo o texto-base, Alcolumbre atua desde o ano passado para destravar a pauta.
Ele é apoiado pelo relator do projeto, senador Irajá Abreu (PSD-TO). Em junho de
2024, o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com placar
apertado de 14 votos a 12. Na época, Alcolumbre ainda era presidente da comissão.

Para garantir a aprovação, Alcolumbre negociou com partidos políticos a substituição
temporária de integrantes do colegiado, priorizando senadores que declararam apoio
à proposta.

## Votação foi adiada em 2024 após resistência no plenário

Em dezembro de 2024, a proposta chegou a ser discutida em plenário, mas a votação
foi adiada a pedido do próprio relator. A decisão ocorreu após avaliação de que 
o projeto poderia ser derrotado devido à resistência de parte dos senadores.

À época, o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), chegou a iniciar
o debate sobre o tema, mas não houve avanço. Agora, com o apoio renovado de Alcolumbre,
o relator demonstra otimismo quanto à aprovação.

## Proposta inclui cassinos, bingos, jogo do bicho e turfe

O projeto de lei permite a exploração das seguintes modalidades:

 * Jogo do bicho
 * Bingos em casas próprias ou em estádios de futebol
 * Cassinos integrados a resorts, hotéis ou embarcações
 * Turfe (corrida de cavalos)

Nos bastidores, Alcolumbre afirmou que deseja aprovar a proposta antes do recesso
parlamentar, que se inicia dentro de duas semanas.

## Apoio político vem de partidos da base governista

A legalização dos jogos de azar tem apoio de partidos do centrão e da base do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os partidos favoráveis estão União Brasil,
PP, PT e PSD.

Durante a votação na CCJ, a maioria dos votos contrários ao projeto veio do Partido
Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro. A bancada evangélica se mantém
como uma das principais forças de oposição à proposta, argumentando que a liberação
dos jogos traria consequências negativas à sociedade.

## Ministro do Turismo e setor hoteleiro apoiam a legalização

A proposta conta com apoio declarado do ministro do Turismo, Celso Sabino (União
Brasil), que avalia que a legalização pode atrair investimentos e ampliar o turismo
no país. Também manifestaram apoio formal à proposta a Associação Brasileira da 
Indústria de Hotéis (ABIH) e outras três entidades do setor.

Em carta enviada ao Congresso, essas instituições afirmaram que a regulamentação
traria maior controle e segurança para o setor. “A regulamentação adequada permitirá
a implementação de um sistema robusto de fiscalização e controle, prevenindo atividades
ilícitas e proporcionando um ambiente seguro e transparente para os jogadores”, 
destacaram.

## Eduardo Girão critica proposta e menciona crise das bets

Entre os senadores contrários ao projeto está Eduardo Girão (Novo-CE). Ele classificou
a proposta como uma resposta negativa diante do cenário atual. “A votação mostra
uma desumanidade porque está todo mundo vendo a pandemia que está acontecendo das
bets, com endividamento em massa, perda de empregos, de casamento, famílias desesperadas”,
declarou.

## Relator do projeto visitou Las Vegas para conhecer cassinos

O texto-base destaca que o relator da proposta, senador Irajá Abreu, viajou em 2020
a Las Vegas, nos Estados Unidos. A viagem teve como objetivo conhecer de perto o
funcionamento dos cassinos e dialogar com representantes da empresa Las Vegas Sands,
então controlada pelo empresário Sheldon Adelson (1933–2021).

## Projeto foi originalmente proposto em 1991

A proposta em tramitação é originária de um projeto apresentado em 1991 pelo então
deputado federal Renato Vianna (PMDB-SC). O texto original propunha apenas a revogação
de decretos da década de 1940 que proibiam o jogo do bicho.

Em 2022, o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reaproveitou o texto
antigo e ampliou seu escopo. A nova versão passou a incluir cassinos, bingos e outras
modalidades de jogos de azar.

## Lula diz que sancionará, mas nega que projeto resolva os problemas do país

O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 2022, com 246 votos a favor 
e 202 contrários. Se o Senado aprovar o texto sem alterações, ele seguirá para sanção
presidencial.

Em entrevista à Rádio Meio, em junho de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou que sancionará o projeto caso seja aprovado pelo Congresso. “Eu não sou 
favorável a jogo, não. Se o Congresso aprovar e for feito um acordo entre os partidos
políticos, não tem por que não sancionar. Agora, eu acho que não é isso que vai 
resolver o problema do Brasil”, declarou.
