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Santiago Peña anuncia renúncia à Presidência do Paraguai após crise bancária

O anúncio ocorreu enquanto avançava no Legislativo um processo de impeachment. A crise do Ueno Bank levou milhares de pessoas às ruas de Assunção.

Santiago Peña anuncia renúncia à Presidência do Paraguai após crise bancária

Santiago Peña anunciou nesta quinta-feira (5) que decidiu renunciar à Presidência do Paraguai. A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, após a crise envolvendo o Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios do chefe de Estado.

Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. Ele também pediu desculpas à população caso tenha falhado e disse que sua prioridade era a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao sistema financeiro.

Antes do anúncio, avançava no Legislativo um processo de impeachment contra o presidente. A principal bancada governista declarou apoio à saída de Peña. O presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, Horacio Cartes, afirmou que a legenda apoiaria o julgamento político.

A Câmara havia iniciado, na manhã desta quinta-feira, uma sessão para analisar a acusação. A adesão de 35 deputados da bancada governista, somada ao apoio de outros grupos, abriu a possibilidade de votação unânime, informou o jornal paraguaio ABC Color. Eram necessários dois terços dos votos dos presentes para encaminhar o processo ao Senado; uma eventual destituição dependeria do julgamento pela Câmara Alta.

Crise no Ueno Bank

Na terça-feira (3), milhares de pessoas foram às ruas de Assunção para cobrar a liberação de dinheiro mantido no Ueno Bank. A instituição foi colocada sob intervenção após ser considerada insolvente, isto é, sem capacidade de honrar compromissos.

O Banco Central do Paraguai bloqueou recursos públicos e economias de clientes. Na quarta-feira (4), suspendeu temporariamente saques de determinados fundos de investimento ligados ao banco. A instituição atendia quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios.

O órgão informou que antecipará aos poupadores até 40 salários mínimos do Fundo de Garantia de Depósitos; dívidas com o banco serão descontadas. A Justiça paraguaia também determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento na crise, entre eles o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo Federico Miguel Vázquez.