A embaixada russa na Holanda cobrou uma manifestação oficial do governo holandês depois que a ministra da Defesa, Dilan Yeşilgöz-Zegerius, classificou a Rússia como “inimiga” durante um debate sobre o orçamento da Defesa. A representação diplomática questionou se a declaração expressa a posição de todo o governo e se indica uma mudança rumo a um confronto militar direto com Moscou.
Em comunicado, a embaixada exigiu que o governo confirme as palavras da ministra ou se distancie delas. A representação também acusou Yeşilgöz de defender uma política de confronto e afirmou que a declaração expõe uma intenção de provocar um conflito armado com a Rússia.
Moscou negou ter intenção de agredir a Europa ou a Holanda, mas advertiu que responderá a qualquer ameaça à segurança e à soberania russas. “Não toleraremos tentativas de falar com a Rússia na linguagem de ameaças e ultimatos”, declarou a embaixada, que disse que uma eventual ameaça receberá resposta “imediata, rápida e contundente”.
Declaração da ministra
Durante o debate, Yeşilgöz afirmou que a Rússia deixou de ser apenas um “agressor” e passou a ser uma “inimiga” da Holanda. “Rússia é nossa inimiga”, disse. Ela acrescentou que isso não significa que os dois países estejam em guerra, mas que uma “paz despreocupada” está distante.
A ministra citou alertas de serviços de inteligência sobre a preparação russa para a possibilidade de um conflito com a Otan e defendeu o reforço das Forças Armadas holandesas. Segundo Yeşilgöz, tropas da Holanda treinam na Estônia para demonstrar que a Otan está preparada para defender sua fronteira oriental.
Ao fim do comunicado, a embaixada voltou a cobrar uma posição oficial e inequívoca do governo holandês sobre as declarações da ministra.

