A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esteve “inúmeras vezes” com ministros. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil veiculada na noite de sábado (17) e contraria uma versão anteriormente apresentada pelo presidente.
Luchsinger disse que Lulinha viajou ao Ceará para a casa do ministro Camilo Santana. Também afirmou que pretende firmar um acordo de delação premiada e colaborar com as investigações sobre sua relação com o filho do presidente, sem poupar Lula ou Lulinha.
A empresária, de 41 anos, dirige a RL Consultoria e Intermediações e foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação para usar tornozeleira eletrônica na Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Polícia Federal também investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Luchsinger e Lulinha.
Na entrevista, Luchsinger rebateu críticas públicas de Lula, que a chamou de “pilantra”, e declarou que o presidente tinha conhecimento das reuniões do filho com ministros. “Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu”, disse à CNN.
Ela afirmou que já apoiou Lula e o defendeu quando ele foi preso, em abril de 2018, mas que agora não acredita mais na inocência do presidente. Também declarou receber ameaças de morte e disse que suas duas filhas foram intimidadas. Luchsinger acusou Lula de contribuir para sua exposição e afirmou sentir-se usada como “boi de piranha”.
Em nota à CNN, a equipe de comunicação de Lula afirmou que ele “desconhece inteiramente os fatos relatados” por Luchsinger, que nunca manteve interlocução com ela e não conhece as supostas tratativas. A nota também declarou que não existe contrato do governo federal com a empresária e classificou as declarações, às vésperas do segundo turno, como tentativa de tumultuar o processo democrático.

