A retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela Eli Lilly, levou participantes com diabetes tipo 2 e excesso de peso a perder, em média, até 20,8% do peso corporal durante um ensaio clínico de 80 semanas. Os resultados do estudo TRIUMPH-2 foram apresentados na 62ª Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD) e publicados na revista The Lancet.
A perda variou conforme a dose. Entre os participantes que receberam 4 mg, a redução média foi de 13,5 quilos, ou 12,7% do peso inicial. Com 9 mg, foram 20,6 quilos, equivalentes a 19,1%. Na dose de 12 mg, a média chegou a 22,5 quilos, ou 20,8%.
Entre as pessoas que começaram o estudo com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 35, a dose de 12 mg resultou em perda média de 27,5 quilos, correspondente a 23,4% do peso corporal. Nesse grupo, 59,5% dos participantes deixaram de preencher os critérios de IMC para diagnóstico de obesidade.
O ensaio também avaliou indicadores de diabetes e fatores de risco cardiovascular. A hemoglobina glicada caiu, em média, 1,4 ponto percentual com 4 mg, 1,6 ponto com 9 mg e 1,5 ponto com 12 mg. Até 40% dos participantes chegaram a níveis considerados normais ao fim da pesquisa.
Com a dose máxima, os triglicerídeos diminuíram 39,5% e o colesterol não HDL, 19,6%. A pressão sistólica caiu 10,8 mmHg, a circunferência da cintura recuou 16,9 centímetros e a proteína C-reativa teve redução de 58,3%. Os dados são de avaliação clínica do medicamento e não indicam aprovação para prevenir eventos cardiovasculares.
A retatrutida atua sobre três vias metabólicas. Juan P. e Frías, diretor médico e investigador principal do Los Angeles Institute for Metabolic Research, afirmou ao Terra que a maioria das pessoas com diabetes tipo 2 também convive com obesidade e que tratar as duas condições em conjunto é um desafio terapêutico.
