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Dinheiro

Repasse de juros ao consumidor pode ser maior que variação da Selic, aponta estudo

Estudo do Ibevar e da FIA aponta que alterações na Selic podem levar de um a três meses para chegar ao crédito e ter repasses de intensidades diferentes.

Repasse de juros ao consumidor pode ser maior que variação da Selic, aponta estudo

As mudanças na taxa Selic podem chegar ao crédito ao consumidor com intensidade diferente conforme o movimento dos juros: quando sobem, o repasse pode ser mais forte do que o alívio observado após cortes. A conclusão é de um estudo do Ibevar em parceria com a FIA Business School.

A pesquisa analisou 185 meses de dados do Banco Central, período equivalente a 15 anos. Segundo o levantamento, uma alteração na Selic pode levar de um a três meses para aparecer nas parcelas pagas pelos consumidores. Na média do período, cada variação de um ponto percentual na taxa básica correspondeu a cerca de 1,5 ponto percentual na taxa cobrada do consumidor final.

Coordenador do estudo e professor da FIA Business School, Claudio Felisoni afirmou que a intensidade do repasse pode variar de 50% a 200%. “Cada um ponto percentual de variação na Selic, você pode ter uma variação de 1,5% a 2,83%”, disse.

A Selic está em 13,75%, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual pelo Banco Central. O mercado espera mais uma redução da mesma magnitude ainda neste ano.

Felisoni relacionou a diferença no repasse à insegurança, à inadimplência e ao risco percebido pelas instituições financeiras, além do elevado endividamento das famílias brasileiras. Ele também observou que o contexto da taxa influencia o efeito: após grandes aumentos, os repasses tendem a ser menores e mais demorados; diante de aumentos pequenos, o impacto tende a ser mais significativo.

Na situação atual, o estudo estima que a redução da Selic leve aproximadamente dois meses para chegar ao crédito ao consumidor.