A língua portuguesa reúne regras que passam despercebidas até mesmo por falantes experientes. No uso cotidiano, expressões comuns na oralidade acabam sendo reproduzidas na escrita formal, mesmo quando entram em desacordo com a norma-padrão. Um dos casos mais recorrentes envolve a regência do verbo “preferir”, amplamente utilizado para indicar escolhas, mas frequentemente empregado de forma incorreta.
No dia a dia, é comum ouvir construções como “prefiro isso do que aquilo”. Apesar de bastante difundida, essa forma não é aceita pela gramática normativa, sobretudo em contextos que exigem correção linguística, como provas, textos jornalísticos, documentos oficiais ou comunicações profissionais. O equívoco ocorre porque muitos falantes transportam para o verbo “preferir” estruturas típicas de comparações comuns, que utilizam “do que” ou “mais do que”.
A regra é objetiva. O verbo “preferir” estabelece uma relação direta entre dois termos por meio da preposição “a”. Não se usa “do que”, nem expressões de intensidade. Em termos gramaticais, quem prefere, prefere uma coisa a outra.
A lógica da comparação e exemplos práticos
Para aplicar corretamente a regência, a estrutura recomendada segue um padrão simples: verbo “preferir”, primeiro termo da escolha, preposição “a” e segundo termo. Essa construção garante clareza e conformidade com a norma culta.
Exemplos ilustram a diferença:
Forma correta: “Prefiro chá a café”.
Forma incorreta: “Prefiro chá do que café”.
O mesmo raciocínio vale para outros contextos. Ao comparar meios de transporte, o correto é dizer “prefere ônibus a metrô”. Quando a comparação envolve ações, a regra permanece: “prefere ler a assistir televisão”.
Erros semelhantes aparecem com frequência em escolhas de rotina ou alimentação. As formas adequadas são “prefere salada a frituras” e “prefere acordar cedo a trabalhar até mais tarde”. O uso correto da regência do verbo “preferir” é um critério objetivo de domínio da língua portuguesa e costuma ser observado em avaliações formais, seleções profissionais e textos informativos.