O aumento do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocorre em um contexto que inclui precedentes de reajustes de benefícios sociais em anos eleitorais. A partir da folha de outubro, o piso do programa passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio subirá de R$ 675 para R$ 777.
O reajuste será de 15,04%. Segundo o governo, o percentual corresponde à reposição da inflação acumulada desde o início do atual Bolsa Família, em 2023. A administração também afirma que a legislação permite a atualização.
O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027. O anúncio foi feito nesta 5ª feira (17.set.2026), a 17 dias do 1º turno das eleições.
Efeito do auxílio na avaliação de Bolsonaro
Em 2020, o Auxílio Emergencial começou a ser pago em abril, no início da pandemia de covid-19. O benefício, de R$ 600, substituiu temporariamente o valor de R$ 192 recebido por beneficiários do Bolsa Família.
Levantamentos do PoderData indicaram que a melhora na avaliação do governo Jair Bolsonaro (PL) não ocorreu imediatamente. A aprovação, medida pela soma das avaliações “ótimo” e “bom”, passou a crescer de forma mais consistente no segundo semestre daquele ano.
O pico foi registrado em agosto, depois de cinco parcelas de R$ 600. Naquele mês, 52% dos entrevistados aprovavam a gestão, ante 41% em junho. No mesmo intervalo, a rejeição caiu de 50% para 40%. Entre os beneficiários do auxílio, a aprovação chegou a superar a média nacional.
Precedente e discussão jurídica
Em 2022, Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil, nome usado na época para o Bolsa Família, de R$ 400 para R$ 600, quatro meses antes da eleição. A medida foi viabilizada pela PEC Kamikaze, que instituiu estado de emergência e autorizou até R$ 41,25 bilhões em gastos adicionais. O projeto teve apoio do PT.
A legislação eleitoral proíbe, no ano da eleição, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública, mas prevê exceções para calamidade pública, estado de emergência e programas sociais autorizados em lei e já previstos no orçamento do exercício anterior. O TSE tem reiterado que esses requisitos precisam ser cumpridos.
O orçamento de 2026 previa R$ 158,6 bilhões para o Bolsa Família. Mantido o patamar de 18,9 milhões de famílias registrado em outubro do ano anterior, sobrariam R$ 4 bilhões, o que permitiria um aumento de até R$ 17,59 por mês. O reajuste anunciado supera esse valor.
