# Radar das Eleições: Brasil caminha para ambiente de atrito institucional e agenda econômica ficará em segundo plano

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- Published: 2026-09-09T18:16:48-03:00
- Author: Felip trends

O Brasil caminha para um **ambiente de atrito institucional **entre os poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, independentemente e quem será o presidente da República
em 2027. Com isso, **reformas econômicas **e marcos regulatórios para atrair investimentos
externos devem ser deixados **de lado, “em segundo ou terceiro planos” **no próximo
mandato.

A avaliação é de **Mário Braga**, analista de geopolítica para América Latina na
RANE, e foi um dos temas da sétima edição do **Radar das Eleições**, do **_Money
Times_**. Na visão do representante da empresa de análises de risco, tanto o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o senador Flávio Bolsonaro (PL), que caminham
para a disputa de um segundo turno nas eleições 2026, terão problemas a enfrentar
caso sejam eleitos.

O atrito tem como **foco principal **a relação de ambos com as diferentes correntes
do Judiciário, turbinada pela escalada da crise dentro do Supremo Tribunal Federal(
STF). Passa ainda pela liberação de emendas impositivas investigadas pela Corte,
bem como a autorização para que senadores autorizem o impeachment de ministros do
STF.

Segundo Braga, em um cenário de **Lula reeleito**, o conflito com o Legislativo 
viria do seu indicado Flávio Dino, que comanda o processo de investigação sobre 
as emendas parlamentas. “Esse litígio entre Executivo, usando o Supremo para se 
opor à questão do controle do orçamento pelo Congresso, é uma fonte de atrito”.

Se o **Flávio Bolsonaro for eleito**, o atrito muda de lado e surge uma aliança “
mais natural” da Presidência da República com o Congresso para fazer a remoção, 
muito provavelmente, do ministro Alexandre de Moraes do STF, segundo ele.

“Qualquer que seja o cenário, será um cenário em que uma **instabilidade institucional
tem grande potencial de acontecer**. E qual é a implicação disso? Se a gente tem
um cenário de crise institucional, a **agenda econômica**, muito provavelmente vai
ficar em **segundo ou terceiro planos**“, afirmou Braga.

Reformas fiscais e estruturantes, marcos regulatórios para atrair investimentos 
de setores que trabalham para que algum tipo de legislação seja aprovada serão preteridos
pelo governo federal diante do cenário de atrito, na avaliação do executivo da RANE.“
Nesse cenário de enfrentamento muito agudo, isso tudo deixa de ser prioridade”.

## Geopolítica com Lula ou Flávio Bolsonaro

No **cenário externo**, a rivalidade e os extremos políticos entre Lula e Flávio
Bolsonaro também trarão impactos nas relações bilaterais entre Brasil e outras nações
e blocos, principalmente com Estados Unidos, União Europeia e China.

Com a reeleição de Lula, na avaliação de Braga, as relações entre Brasil e Estados
Unidos seguiriam “voláteis”, dependentes de eventuais contatos entre o líder brasileiro
e o presidente Donald Trump e de pressões internas dentro do governo estadunidense.

“As coisas se acalmam por algum momento, até que algum outro grupo dentro do governo
americano é pressionado. E a gente teria, talvez tarifas, talvez sanções, talvez
pressão sobre a operação de segurança e aí isso se deterioraria”, afirmou.

“Quando a gente olha no cenário em que o Flávio Bolsonaro é eleito, aí a guinada
diplomática com o viés ideológico é mais forte que isso. Vai ter um alinhamento 
muito grande entre o governo brasileiro e o governo do presidente Donald Trump”.

A relação com União Europeia, China e as nações do BRICs é favorável em um governo
Lula, defensor do multilateralismo e de acordos comerciais. Acordos que passariam
por um “maior escrutínio em relação à participação de empresas ou interesses chineses
em ativos estratégicos” no Brasil caso Flávio Bolsonaro seja eleito, por exemplo.

“Dificilmente o governo de Flávio Bolsonaro estaria disposto, por exemplo, a rasgar
contrato, a fazer expropriação, porque isso mandaria uma mensagem muito ruim para
o mercado, para a estabilidade. Mas você pode ter uma pressão maior sobre interesses
chineses nas áreas de minerais críticos ou portos”, na avaliação do analista da 
RANE.

## Ajuste fiscal

Mesmo sob atrito institucional, em algum momento o futuro presidente terá de fazer
um ajuste fiscal, que terá diferentes níveis dependendo do eleito.

Se Lula conquistar o quarto mandato, os “ajustes serão os mínimos possíveis pra 
garantir a possibilidade de executar o orçamento ou algo que previna a eclosão de
uma crise muito forte no lado fiscal”, afirmou Braga. Com Flávio Bolsonaro, na avaliação
dele, haverá uma “disciplina fiscal maior e medidas de austeridade um pouco mais
sérias, que ajudem a reduzir a trajetória da dívida”.
