A Intel enfrenta pressão para conquistar clientes para seu negócio de fabricação de semicondutores para terceiros, enquanto suas ações acumulam perdas e a empresa lida com dificuldades para atender à demanda por chips. A companhia ainda não conseguiu atrair um cliente de grande porte para seus processos mais avançados.
Há cinco anos, a fabricante investe nessa estratégia e acumulou US$ 108 bilhões em despesas de capital no período. Mesmo assim, continua produzindo principalmente semicondutores para os próprios produtos e tenta desafiar a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC).
A pressão aumentou após a Intel informar que espera receita entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões abaixo das estimativas dos analistas no trimestre atual.
A empresa relacionou o desempenho mais fraco à desaceleração do mercado de computadores pessoais, afetado pela alta dos custos de memória e de outros componentes. O segmento responde por aproximadamente metade da receita da Intel, e consumidores têm adiado a troca de computadores.
As ações caíram 29% na sexta-feira, no pior pregão desde a década de 1970. Em outubro, recuaram 45%, a maior perda mensal já registrada, segundo dados da FactSet. Na segunda-feira seguinte, os papéis perderam mais 8%.
A Intel também afirmou que não consegue produzir chips em quantidade suficiente, citando restrições de oferta de wafers, substratos e componentes de memória. Para elevar a produção, a companhia redireciona parte da capacidade de sua fábrica no Oregon: recursos antes destinados aos chips 18A serão usados para fabricar mais unidades com a tecnologia Intel 3, aplicada a produtos de data centers.
A mudança pode dificultar a estratégia de atrair clientes externos para o processo 18A. David Yoffie, professor da Harvard Business School e ex-integrante do conselho da Intel, afirmou que potenciais clientes podem duvidar da capacidade excedente da empresa e de sua confiabilidade como fornecedora. Para ele, a falta de um grande cliente no prazo de um ano aumentaria a pressão sobre as finanças da companhia.
No terceiro trimestre, a divisão de data centers cresceu 78% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 7,3 bilhões. O CEO Lip-Bu Tan prevê que o mercado global de processadores para servidores chegue a aproximadamente US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos, expansão de até cinco vezes.
A Intel não respondeu a um pedido de comentário.

