Uma atividade com inteligência artificial (IA) transformou os sonhos profissionais de 31 alunos em imagens de como poderiam aparecer no futuro. A iniciativa foi da professora Giovanna Macedo, que leciona para crianças de 9 e 10 anos em uma escola estadual de Campinas (SP).
Com auxílio do ChatGPT e fotos tiradas em 2025, a docente criou um vídeo que mostra os estudantes, do 4º ano do ensino fundamental, em profissões que desejam seguir. Entre as escolhas das crianças estão jogador de futebol, astronauta, veterinária, bailarina, cantor e artista. As reações emocionadas viralizaram nas redes sociais.
Giovanna disse que queria ajudar os alunos a imaginar uma etapa da vida ainda distante e a se sentirem valorizados. Aos 27 anos, ela atua no magistério desde 2018 e conta que ainda não tem capacitação em inteligência artificial. Mesmo assim, acompanha inovações e usa tecnologias para criar recursos visuais e despertar o interesse nas aulas.
Após a repercussão, a professora afirmou que pretende fazer uma especialização em metodologias e didática. Ela espera que a experiência inspire educadores a buscar formas criativas de aproximar os conteúdos escolares da realidade dos estudantes.
Formação e uso responsável
Kassula Correa, diretora-geral de uma escola privada do Rio de Janeiro, defendeu que o uso da tecnologia considere os diferentes ritmos de aprendizagem e seja acompanhado de orientação.
Para ela, saber mexer em um celular não significa necessariamente conseguir pesquisar com profundidade ou identificar informações falsas. Também ressaltou que a escola deve preservar as relações humanas e o desenvolvimento socioemocional.
Marcio Luiz Dias, que trabalha há 13 anos na formação continuada de professores da rede pública do Distrito Federal, considera a capacitação indispensável diante da rapidez das mudanças digitais. Nas formações da Secretaria de Estado de Educação do DF, a orientação é ir além do uso mecânico das ferramentas e incluir ética, checagem de dados e formação crítica.
O Ministério da Educação informou que uma resolução sobre inteligência artificial deve ser publicada em breve, sem data definida. O documento pretende ampliar o uso pedagógico, preservar a autonomia docente e proteger estudantes.
Em julho, 108.658 escolas estavam conectadas em níveis de qualidade adequados, o equivalente a 78,7% das 138.086 unidades monitoradas pelo indicador citado pelo MEC.

