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Preço do aluguel disparou no Brasil e muda realidade para inquilinos e proprietários

O valor dos aluguéis continua subindo no Brasil e já redesenha a relação entre inquilinos, proprietários e investidores. De acordo com o índice FipeZap, os preços avançaram 9,4% em 2025. Embora o ritmo seja menor do que o registrado em 2024, quando a alta chegou…

O valor dos aluguéis continua subindo no Brasil e já redesenha a relação entre inquilinos, proprietários e investidores. De acordo com o índice FipeZap, os preços avançaram 9,4% em 2025.

Embora o ritmo seja menor do que o registrado em 2024, quando a alta chegou a 13,5%, o aumento ainda supera em mais do que o dobro a inflação do período e deve seguir pressionando o orçamento das famílias em 2026.

Para especialistas, o fenômeno não é pontual, mas estrutural. O principal gargalo está na forma como o setor opera no país. 

No Brasil, a construção civil é voltada quase exclusivamente para venda, não para locação. O imóvel alugado costuma ser aquele que não foi vendido ou que pertence a investidores individuais tentando gerar renda.

Esse modelo, no entanto, encontra hoje um obstáculo adicional: os juros elevados. Com a taxa Selic em torno de 15%, o investimento em imóveis para alugar perde atratividade frente a outras aplicações financeiras.

Além disso, modelos mais eficientes, como o multifamily — empreendimentos construídos exclusivamente para locação — ainda são residuais no Brasil, representando menos de 1% do mercado. Em países como os Estados Unidos, eles são a espinha dorsal do setor”, afirma Claudino.

Demanda crescente e novas escolhas

Do lado da demanda, o cenário reforça a pressão sobre os preços. As mesmas taxas de juros que desestimulam novos projetos de locação também dificultam o acesso à casa própria. Muitas pessoas que pretendiam comprar acabam permanecendo no aluguel por mais tempo, esperando condições melhores de financiamento;

Há ainda uma mudança importante no comportamento das novas gerações. Trata-se menos de uma rejeição à casa própria e mais de um cálculo financeiro. 

Muitos jovens ainda desejam comprar um imóvel, mas veem o aluguel como uma solução temporária diante de um mercado que não fecha a conta no curto prazo.

Com oferta limitada, demanda aquecida e juros elevados, o cenário tende a se manter. Sem políticas públicas e incentivos claros para ampliar a produção de imóveis voltados à locação, e sem mecanismos que aproximem o financiamento da realidade da renda das famílias, o aluguel seguirá sendo a principal alternativa para quem não consegue comprar.