A Prefeitura de Porto Seguro passou a pagar R$ 10 por exemplar de peixe-leão capturado e entregue na Colônia Z-22. A iniciativa busca conter a expansão da espécie invasora no Extremo Sul da Bahia, onde o animal ameaça a fauna marinha e também oferece risco à saúde humana.
Originário do Indo-Pacífico, o peixe-leão chegou ao litoral brasileiro sem encontrar inimigos naturais. Com isso, consegue se reproduzir e ocupar diferentes ambientes marinhos. Em agosto, primeiro mês do programa, mais de 400 exemplares já haviam sido retirados do mar.
Risco ambiental e à saúde
O animal se alimenta de peixes e invertebrados, pressionando espécies nativas e alterando o equilíbrio dos ecossistemas. Segundo Martina Rossato, administradora do Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora e oceanóloga, a facilidade de caça, reprodução e adaptação amplia o impacto da invasão.
Os espinhos do peixe-leão também liberam uma toxina capaz de provocar dor, vermelhidão e febre. Em casos graves, podem ocorrer convulsões.
A região é considerada vulnerável por reunir a plataforma continental extensa, os bancos Royal Charlotte, a proximidade com Abrolhos, recifes, bancos de rodolitos e habitats de invertebrados. A retirada rápida é apontada como importante para reduzir os danos à biodiversidade.
Monitoramento e próximos passos
A Universidade Federal do Sul da Bahia recebe os animais e analisa medidas, alimentação, ambiente ocupado e adaptação da espécie. O pagamento é considerado emergencial e poderá ser reduzido à medida que uma cadeia de beneficiamento e comercialização seja estruturada.
Dois peixes-leão foram confirmados no Recife de Fora: um em 12 de junho e outro em 10 de setembro. A captura na unidade é restrita a profissionais capacitados. O município reconhece que a eliminação completa da espécie é inviável.
