# Por que marcas globais patrocinam clubes da América Latina, mas não da Série A brasileira?

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- Published: 2026-10-20T03:15:26-03:00
- Author: Felip trends

Preço elevado, concentração de patrocínios em casas de apostas e baixa exposição
internacional estão entre os fatores que ajudam a explicar por que marcas globais
aparecem menos nas camisas da Série A brasileira do que em clubes de outros países
latino-americanos. A análise é de um estudo do Ibope Repucom sobre patrocínios em
2026.

Empresas de setores como telecomunicações, aviação e automotivo patrocinam equipes
da região, mas têm presença limitada nos uniformes brasileiros. Segundo o levantamento,
valores cobrados por clubes do Brasil podem superar o orçamento de marketing de 
equipes tradicionais da Argentina, Colômbia e Chile.

Bruno Brum, CMO da Agência End to End, afirma que o tamanho da torcida precisa vir
acompanhado de profissionalização, governança e indicadores de retorno. Renê Salviano,
CEO da Heatmap, aponta que os campeonatos brasileiros demoraram a conquistar exposição
em outros países. Ele também destaca que o futebol feminino brasileiro tem sete 
patrocinadores oficiais, seis deles multinacionais.

Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, muitas marcas preferem
investir em transmissões, competições e naming rights de estádios. A percepção de
que negociar diretamente com clubes é difícil também cria barreiras, segundo ele.

O estudo cita empresas brasileiras de consórcios, saúde e varejo regional entre 
as marcas presentes nos uniformes. Moises Assayag, especialista em finanças no futebol,
defende projetos comerciais com objetivos claros, ativações e dados de retorno. 
Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, aponta a necessidade de equipes comerciais
estruturadas e profissionais especializados.

O levantamento identifica sinais de mudança com a chegada de montadoras de veículos
elétricos e híbridos. Aviação, telecomunicações e bebidas não alcoólicas, setores
presentes em outros países latino-americanos, ainda têm espaço para crescer no Brasil.
Especialistas também defendem propostas que incluam conteúdo, experiências e métricas
de desempenho, além da exposição na camisa.

Entre as marcas citadas no estudo estão BBVA, no México e no Uruguai; Sodimac, no
Chile; KFC, no Equador; e Smart Fit, no México, na Colômbia e no Chile. O levantamento
aponta ainda que reduzir a dependência das casas de apostas pode abrir espaço para
diversificar as receitas dos clubes brasileiros.
