# Pessoas entre 55 e 75 anos lidam melhor com o silêncio, e a psicologia vê nisso uma diferença entre gerações

- Link: https://nordeste7.com.br/pessoas-entre-55-e-75-anos-lidam-melhor-com-o-silencio-e-a-psicologia-ve-nisso-uma-diferenca-entre-geracoes/
- Published: 2026-06-09T23:00:14-03:00
- Author: Felip trends

Para algumas [pessoas](https://nordeste7.com.br/este-e-o-local-da-casa-que-mais-causa-acidentes-e-problemas-com-pessoas-idosas/),
ficar alguns minutos sem televisão, música, notificações ou conversas é algo natural.
Para outras, o silêncio pode causar estranhamento e até certo desconforto. Pesquisas
em [psicologia](https://nordeste7.com.br/o-que-significa-quando-um-gato-morde-o-proprio-dono-segundo-a-psicologia-felina/)
e neurociência têm mostrado que a forma como cada indivíduo reage à ausência de 
estímulos está relacionada tanto ao envelhecimento quanto ao ambiente em que cresceu.

Um dos estudos que ajudou a ampliar o interesse científico pelo tema foi publicado
na revista _Brain Structure and Function_ em 2013. A pesquisa observou que períodos
de silêncio estavam associados ao desenvolvimento de novas células em uma região
cerebral ligada à memória em experimentos com animais. 

Nesse contexto, pesquisadores também observam diferenças geracionais na forma como
as pessoas lidam com momentos sem estímulos. Adultos [entre](https://nordeste7.com.br/wagner-moura-conquista-lugar-entre-os-100-mais-influentes-do-planeta/)
55 e 75 anos tendem a enxergar o silêncio de maneira mais positiva do que [gerações](https://nordeste7.com.br/marca-de-brinquedos-que-marcou-as-geracoes-de-1980-e-1990-deve-deixar-o-mercado-em-breve/)
que cresceram em um ambiente marcado pela presença constante de telas, sons e conexões
digitais.

## Uma infância com menos estímulos moldou outra relação com o silêncio

Quem nasceu entre as décadas de 1950 e 1970 viveu uma realidade muito diferente 
da atual. O cotidiano tinha menos fontes de distração e menos estímulos simultâneos
disputando atenção.

Era comum passar períodos sem televisão ligada, sem música tocando ao fundo e, naturalmente,
sem smartphones ou redes sociais. O silêncio fazia parte da rotina e não era encarado
como algo que precisava ser preenchido.

Especialistas em neurociência explicam que o cérebro se adapta aos ambientes em 
que se desenvolve. Quando a infância acontece em um contexto menos carregado de 
estímulos sonoros e visuais, o sistema nervoso passa a considerar esse padrão como
normal. Por isso, para muitas pessoas dessa faixa etária, o silêncio pode ser percebido
como um estado de conforto, descanso e familiaridade.

## O envelhecimento também influencia essa tolerância?

O fator geracional é importante, mas não é o único. O próprio processo de envelhecimento
também contribui para uma relação diferente com o silêncio.

Ao longo da vida adulta, áreas do cérebro ligadas ao controle emocional, à regulação
da atenção e à administração de impulsos tornam-se mais eficientes. Isso pode aumentar
a capacidade de permanecer em ambientes tranquilos sem sentir necessidade constante
de buscar novos estímulos.

Além disso, a experiência acumulada tende a tornar as pessoas mais confortáveis 
com momentos de introspecção e reflexão, algo frequentemente associado a períodos
de silêncio.

## O que a ciência sabe sobre os benefícios do silêncio?

Nas últimas décadas, pesquisadores passaram a investigar os efeitos que ambientes
silenciosos podem ter sobre o cérebro e o bem-estar.

Além do estudo publicado na _Brain Structure and Function_, outras pesquisas sugerem
que períodos de silêncio ajudam a reduzir níveis de estresse e favorecem processos
importantes para a memória e a concentração. Também há evidências de que momentos
sem estímulos constantes permitem que o cérebro organize informações, processe emoções
e recupere energia mental.

Entre os benefícios mais frequentemente associados ao silêncio estão:

 * redução da sobrecarga mental;
 * melhora da atenção e da concentração;
 * auxílio na consolidação de memórias;
 * estímulo à criatividade e à reflexão;
 * diminuição dos níveis de estresse.

Isso não significa que o silêncio seja uma solução para todos os problemas, mas 
indica que ele pode desempenhar um papel importante no equilíbrio emocional e cognitivo.

## Por que muitas pessoas mais jovens se sentem desconfortáveis em ambientes silenciosos?

A [diferença](https://nordeste7.com.br/a-batata-com-broto-que-voce-jogou-fora-nesta-semana-podia-ser-aproveitada-segundo-os-chefs-mas-tem-um-detalhe-no-preparo-que-faz-toda-a-diferenca/)
pode estar relacionada ao volume de estímulos presente desde a infância. Celulares,
vídeos curtos, plataformas de streaming, redes sociais e aplicativos de mensagens
criaram uma rotina em que o cérebro raramente permanece sem alguma forma de informação
chegando.

Nesse cenário, o silêncio pode ser interpretado como uma interrupção inesperada.
Em vez de ser visto como um estado neutro, passa a ser percebido como ausência de
algo que normalmente estaria disponível.

Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

Psicólogos descrevem esse fenômeno como uma menor tolerância a níveis baixos de 
estimulação. Isso pode se manifestar na necessidade constante de verificar o celular,
ouvir música durante tarefas simples ou buscar distrações sempre que surge um momento
de pausa.

## Como treinar o cérebro para se sentir confortável com o silêncio

Embora a relação das pessoas entre 55 e 75 anos com o silêncio tenha sido construída
ao longo de décadas, especialistas destacam que é possível desenvolver essa habilidade
em qualquer fase da vida. O processo costuma ser gradual e passa pela redução consciente
da dependência de estímulos constantes.

Uma das estratégias mais simples é reservar pequenos períodos do dia para ficar 
sem televisão, música, celular ou notificações. Começar com intervalos de cinco 
a dez minutos ajuda o cérebro a se acostumar com a ausência de estímulos sem gerar
desconforto excessivo.

Outra prática recomendada é realizar caminhadas sem fones de ouvido. Ao deixar de
preencher cada momento com sons externos, a atenção passa a se voltar para o ambiente
ao redor, favorecendo a percepção do espaço, dos pensamentos e das sensações do 
próprio corpo. Ambientes mais tranquilos costumam facilitar essa adaptação.

Criar rituais livres de telas também pode fazer diferença. Alguns especialistas 
sugerem separar momentos específicos da rotina — como o início da manhã ou os minutos
antes de dormir — para atividades sem televisão, celular ou notificações. Dedicar
pelo menos 15 minutos a esses períodos pode ajudar a construir transições mais tranquilas
entre as tarefas do dia.

Também é importante associar o silêncio a experiências agradáveis. Leitura, escrita
à mão, jardinagem, culinária ou outras atividades relaxantes podem ensinar o cérebro
a perceber esses momentos não como um vazio a ser preenchido, mas como oportunidades
de descanso e bem-estar.

A adaptação não acontece da noite para o dia. Assim como qualquer hábito, a capacidade
de apreciar o silêncio tende a se fortalecer com a prática regular. Com o tempo,
aquilo que inicialmente parece estranho pode se transformar em uma ferramenta valiosa
para reduzir a sobrecarga mental e recuperar a atenção.

## Uma diferença que ajuda a entender mudanças de comportamento

A maior tolerância ao silêncio observada entre pessoas de 55 a 75 anos não significa
que uma geração esteja certa e outra errada. O que a psicologia sugere é que cada
grupo foi moldado por contextos históricos distintos.

Enquanto os mais velhos cresceram em um mundo onde o silêncio fazia parte da rotina,
os mais jovens se desenvolveram em uma realidade marcada pela conectividade permanente.

[ad_2]
