Pular para o conteúdo
Trends

Pesquisadores descobrem que onças também conseguem miar

Pesquisadores identificaram, pela primeira vez na natureza, sons semelhantes a miados emitidos por onças-pintadas. O registro inédito foi feito no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, e revela uma forma de comunicação até então pouco documentada entre esses grandes felinos. As gravações mostram fêmeas vocalizando…

Pesquisadores identificaram, pela primeira vez na natureza, sons semelhantes a miados emitidos por onças-pintadas. O registro inédito foi feito no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, e revela uma forma de comunicação até então pouco documentada entre esses grandes felinos.

As gravações mostram fêmeas vocalizando para chamar seus filhotes, que respondem com sons igualmente agudos, facilitando o reencontro entre mãe e cria em meio à vegetação densa da floresta.

Os pesquisadores descrevem os chamados como breves, repetitivos e de tom elevado, características muito próximas aos miados dos gatos domésticos.

Comunicação delicada entre mãe e filhote

De acordo com os especialistas, esse tipo de vocalização parece estar associado a situações específicas de cuidado parental. O padrão sonoro observado — agudo, curto e sequencial — indica uma forma eficiente e discreta de comunicação, essencial para evitar a atenção de predadores ou de outros machos adultos.

Embora onças-pintadas sejam conhecidas por vocalizações mais graves, como esturros e rosnados usados para marcar território ou intimidar rivais, o estudo mostra que o repertório vocal da espécie é mais diverso do que se imaginava. O “miado” surge como um recurso funcional, voltado à interação direta entre mãe e filhote.

Segundo os pesquisadores, a semelhança com os miados dos gatos domésticos não é coincidência. Ambos pertencem à mesma família, os felídeos, e compartilham estruturas anatômicas que permitem a emissão de sons parecidos, ainda que em contextos distintos.

Estudo internacional e registro inédito

O trabalho foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Salford, no Reino Unido, da Atlantic Technological University, na Irlanda, em parceria com o WWF Brasil e pesquisadores do Projeto Onças-Pintadas do Iguaçu. As gravações foram feitas com equipamentos de monitoramento instalados na área de preservação, sem interferência direta nos animais.

Até então, sons desse tipo nunca haviam sido documentados em onças-pintadas vivendo em ambiente natural.

A descoberta amplia o conhecimento sobre o comportamento da espécie e pode contribuir para estratégias de conservação, ao ajudar pesquisadores a interpretar sinais acústicos captados em campo.

O vídeo com os registros foi divulgado pela plataforma científica IFLScience e chamou atenção de especialistas e do público por revelar um lado pouco conhecido de um dos maiores predadores das Américas.

A descoberta reforça que, mesmo em espécies amplamente estudadas, ainda há comportamentos sutis a serem compreendidos — especialmente quando se trata da comunicação entre mães e filhotes na vida selvagem.