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Política

Pesquisa aponta desalento de quase 40% com disputa presidencial

Pesquisa Travessia indica que quase 40% dos eleitores sentem descrença, revolta ou desânimo com a disputa presidencial de 2026.

Pesquisa aponta desalento de quase 40% com disputa presidencial

Quase quatro em cada dez eleitores dizem sentir descrença, revolta ou desânimo diante da disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa Travessia. O levantamento também mostra que 46% afirmam votar em alguém apenas para impedir a vitória de outro candidato.

Entre os entrevistados, 42,5% relataram esperança com a eleição, 5,1% alegria e 12,6% disseram não sentir nenhum desses sentimentos. Outros 3% não souberam ou preferiram não responder.

A arquiteta Paula Falcão, de 30 anos, afirmou estar desanimada com o rumo da disputa. Ela disse sentir falta da cordialidade entre adversários políticos e avalia que a política se tornou mais centrada em derrotar o oponente do que em buscar resultados para a sociedade.

Paula contou que pretende votar novamente em Luiz Inácio Lula da Silva, mas atribui a escolha sobretudo à rejeição ao bolsonarismo, e não à expectativa de melhora. Em 2022, segundo ela, chegou à urna com esperança de que o País pudesse melhorar.

O voto motivado pela rejeição é mais frequente entre pessoas com renda de até dois salários mínimos, grupo em que chega a 49,8%, e entre moradores da região Norte, com 51,2%. Já 49,4% do eleitorado geral afirmam que escolherão um candidato por suas propostas ou pela admiração que têm por ele.

O nutricionista Joás Garcia, de 22 anos, declarou que votará em Flávio Bolsonaro principalmente por antipetismo, embora tenha pouca identificação com o plano de governo do senador. Ele citou concordância em temas de segurança pública e corte de impostos, além de preocupações com impostos e possíveis indicações de Lula ao Supremo Tribunal Federal.

Renato Dorgan, cientista político e CEO do Travessia Pesquisas, avaliou que há descrença nas instituições e nos políticos. Ele também apontou desgaste com promessas repetidas e não cumpridas. Para Dorgan, o desengajamento pode contribuir para mais abstenções: 78,5% disseram que votarão com certeza, 20,2% ainda não têm certeza e 1,3% não souberam ou não responderam.