Perceber que a visão ficou embaçada de repente ou que um dos olhos parou de enxergar normalmente pode ser assustador. Ainda assim, muitas pessoas acreditam que o problema vai passar sozinho e acabam adiando a procura por atendimento médico.
O que poucos sabem é que a perda súbita da visão pode ser um sinal de AVC ocular, termo popular utilizado para descrever diferentes condições que comprometem a circulação sanguínea em estruturas essenciais do olho. Nesses casos, cada minuto pode fazer diferença para preservar a visão e identificar possíveis problemas vasculares em outras partes do organismo.
Segundo a American Academy of Ophthalmology, a perda visual repentina deve sempre ser considerada uma emergência médica até que a causa seja identificada.
O que é o AVC ocular?
Embora não seja um termo médico oficial, a expressão AVC ocular é amplamente utilizada para se referir a eventos que interrompem ou reduzem o fluxo sanguíneo para a retina ou para o nervo óptico.
Entre os quadros mais conhecidos estão a oclusão da artéria central da retina, a oclusão da veia central da retina e a neuropatia óptica isquêmica.
A retina é responsável por captar a luz e enviar informações ao cérebro. Quando seu suprimento de sangue é interrompido, as células podem sofrer danos em pouco tempo, comprometendo parcial ou totalmente a visão.
Por esse motivo, especialistas da American Academy of Ophthalmology e da American Heart Association recomendam que pacientes com perda visual súbita procurem atendimento emergencial.
Quais são os principais sintomas?
Os sinais variam conforme a região afetada e a gravidade da obstrução, mas alguns sintomas merecem atenção imediata.
Os mais comuns incluem:
- Perda repentina da visão em um dos olhos;
- Escurecimento súbito do campo visual;
- Visão embaçada intensa;
- Sensação de sombra ou cortina cobrindo parte da visão;
- Manchas fixas que não desaparecem;
- Dificuldade para enxergar detalhes ou ler.
Em muitos casos, o episódio ocorre sem dor, o que pode levar algumas pessoas a subestimar a gravidade da situação.
Quem corre mais risco?
Assim como acontece com o AVC cerebral, o AVC ocular está fortemente relacionado à saúde dos vasos sanguíneos.
Os principais fatores de risco incluem:
- Hipertensão arterial;
- Diabetes;
- Colesterol elevado;
- Tabagismo;
- Obesidade;
- Doenças cardiovasculares;
- Histórico de AVC ou infarto;
- Idade avançada.
Segundo a National Eye Institute, pessoas com essas condições devem realizar acompanhamento médico regular, pois alterações vasculares podem afetar a visão antes mesmo do aparecimento de outros sintomas.
AVC ocular pode ser um alerta para outras doenças
Uma das maiores preocupações dos especialistas é que o AVC ocular nem sempre se limita aos olhos.
Estudos publicados pela American Heart Association mostram que pacientes que apresentam oclusões vasculares na retina podem ter risco aumentado de AVC cerebral, infarto e outras doenças cardiovasculares.
Por isso, além da avaliação oftalmológica, muitas vezes é necessária uma investigação clínica mais ampla para identificar fatores que possam ter contribuído para a interrupção da circulação.
Em outras palavras, o episódio pode funcionar como um sinal de alerta de que há alterações vasculares acontecendo em outras partes do organismo.
O que fazer diante da perda súbita da visão?
A orientação dos especialistas é clara: não espere o sintoma melhorar sozinho.
Caso ocorra perda repentina da visão, o ideal é:
- Procurar atendimento médico imediatamente;
- Informar o horário exato em que os sintomas começaram;
- Relatar se houve escurecimento, manchas ou embaçamento;
- Informar doenças pré-existentes, como hipertensão ou diabetes;
- Levar uma lista dos medicamentos utilizados regularmente.
O tempo é um fator importante porque algumas intervenções podem ter melhores resultados quando realizadas logo após o início dos sintomas.
Como prevenir o AVC ocular?
A prevenção está diretamente ligada ao cuidado com a saúde cardiovascular.
Controlar a pressão arterial, manter a glicemia e o colesterol dentro dos níveis recomendados, praticar atividade física regularmente, evitar o cigarro e realizar consultas médicas periódicas são medidas que ajudam a reduzir o risco.
O acompanhamento oftalmológico também tem papel importante. Exames de rotina podem identificar alterações nos vasos sanguíneos da retina e fornecer pistas sobre problemas de saúde que ainda não causaram sintomas em outras partes do corpo.
