Pular para o conteúdo
Trends

Pequena cidade do Nordeste tem mina de diamante e poucos sabem

No coração do sertão da Bahia, uma descoberta geológica colocou um município pouco conhecido no mapa internacional da mineração de alto valor. Nordestina, cidade localizada a cerca de 330 quilômetros de Salvador e com pouco mais de 12 mil habitantes, abriga a Mina Braúna, considerada…

No coração do sertão da Bahia, uma descoberta geológica colocou um município pouco conhecido no mapa internacional da mineração de alto valor. Nordestina, cidade localizada a cerca de 330 quilômetros de Salvador e com pouco mais de 12 mil habitantes, abriga a Mina Braúna, considerada uma das maiores jazidas de diamantes da América Latina. O empreendimento fica a aproximadamente 10 quilômetros da sede urbana, em uma área próxima ao Rio Itapicuru, e contrasta com a paisagem semiárida predominante da região.

A exploração da mina é conduzida pela empresa canadense Lipari Mineração Limitada, que investiu mais de US$ 100 milhões no desenvolvimento do projeto. A operação é baseada na extração direta do kimberlito, a chamada rocha matriz dos diamantes, método mais moderno e eficiente do que o garimpo aluvial tradicional. Com isso, a Bahia passou a liderar a produção nacional de diamantes de fonte primária, posição até então ocupada por outros estados.

A Mina Braúna iniciou suas atividades comerciais em 2016 e se destaca não apenas pelo volume de produção, mas também pela qualidade das gemas extraídas. Parte significativa dos diamantes segue para mercados internacionais, especialmente Europa e América do Norte, abastecendo joalherias e centros de lapidação de alto padrão.

Bahia concentra polos estratégicos de mineração

Além de Nordestina, a Bahia reúne outros importantes polos minerais. O estado ocupa a segunda posição na produção brasileira de esmeraldas e é líder nacional na extração e exportação de quartzo rutilado, muito utilizado pela indústria de joias e pelo setor tecnológico. Um dos destaques é a Serra de Carnaíba, no município de Pindobaçu, onde a atividade garimpeira é organizada pela Cooperativa Mineral da Bahia desde 2006, com autorização oficial por meio da Permissão de Lavra Garimpeira.

O subsolo baiano também concentra recursos estratégicos para a economia nacional. O estado possui reservas relevantes de ouro, titânio, cromita e magnesita, além de participação expressiva na produção de petróleo, gás natural e gipsita, matéria-prima essencial para a fabricação de gesso. Esses ativos fazem da Bahia um dos principais polos minerais do país, com impacto direto na balança comercial brasileira.

Em Nordestina, a presença da Mina Braúna representa uma das principais fontes de arrecadação municipal, geração de empregos diretos e indiretos e atração de investimentos privados. Apesar disso, a operação funciona de forma controlada, com acesso restrito e baixo impacto visual, o que explica por que a existência de uma das maiores minas de diamantes do continente ainda é desconhecida por grande parte dos brasileiros.