Para o filósofo francês Jean-Paul Sartre, experiências dolorosas não definem, por si só, quem alguém se tornará. Segundo o pensador existencialista, embora a pessoa não controle o que viveu, pode decidir como responder às marcas do passado.
O existencialismo parte da ideia de que ninguém nasce com uma essência pronta ou um roteiro fixo para a vida. Nessa perspectiva, experiências difíceis podem ser reinterpretadas, em vez de tratadas como um destino imutável.
Publicado em 1943, o livro O Ser e o Nada apresenta fundamentos dessa filosofia, que ganhou força na Europa após a Segunda Guerra Mundial. Sartre defendia que o ser humano está “condenado a ser livre”, formulação ligada à responsabilidade pelas escolhas e suas consequências.
Segundo Sartre, a consciência não é um recipiente de lembranças fixas: ao recordar um episódio, a pessoa pode reinterpretá-lo a partir de outra perspectiva. O texto também aponta a atenção a pensamentos automáticos e pequenas metas diárias como práticas que podem fortalecer a capacidade de decidir.

