Pai e filho constroem casa de pedra medieval sem experiência e transformam erro em aprendizado

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Uma construção chama atenção em Saudades, no Oeste de Santa Catarina. As paredes grossas e o formato arredondado lembram torres de castelos medievais europeus, e a obra já desperta curiosidade em quem passa pela região.

A ideia nasceu durante o doutorado de Fernando Hentz na Universidade de Edimburgo, na Escócia. Por lá, ele se encantou com as construções em pedra e trouxe o projeto para o Brasil.

Quem executou a obra, porém, foi o pai, José Henrique Rempel Hentz. Sem formação técnica e sem experiência prévia com esse tipo de construção, ele passou mais de dois anos encaixando pedras manualmente até dar forma à estrutura.

Um projeto que cresceu junto com a obra

A construção começou pequena. Entre abril e maio de 2023, a intenção era erguer apenas uma edificação térrea simples. Isso mudou quando as paredes chegaram a pouco mais de dois metros de altura. Pai e filho decidiram, ali mesmo, acrescentar um segundo pavimento.

A decisão trouxe consequências. Foi preciso ampliar a estrutura, criar um banheiro que nem existia no projeto original e erguer um corredor ligando os ambientes.

Hoje a casa tem cerca de 5 metros de altura, com sala e cozinha no térreo e uma suíte reservada a hóspedes no andar de cima.

As paredes chegam a quase um metro de espessura em alguns pontos. José Henrique conta que não havia fórmula pronta: cada pedra era diferente da outra, e o encaixe exigia paciência. “Eu não sabia fazer uma casa de pedra”, relata. Segundo ele, o aprendizado veio na prática, com cada etapa trazendo um desafio novo.

Trabalho manual e sem engenheiro na obra

Não houve guindaste nem esteira. As pedras, algumas com quase 50 quilos, foram carregadas no braço até o segundo pavimento por uma escada improvisada com dez degraus, construída durante a própria obra. O concreto seguia o mesmo caminho, misturado no chão e levado balde por balde para cima.

Fernando também enfrentou dificuldade para encontrar um telhado compatível com o formato redondo da casa. A solução veio de uma técnica usada em construções nos Estados Unidos, sobretudo na Flórida.

Muita gente pergunta qual engenheiro assinou o projeto. “A verdade é que não teve engenheiro acompanhando essa construção”, diz José Henrique.

A casa está na reta final dos acabamentos e deve integrar um projeto maior de agroturismo na propriedade da família, que soma outras quatro unidades de hospedagem em construção.

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